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Sincericídio

Sincericídio: uma face inconsequente da verdade sem filtros

Para ser sincero, falar a verdade nem sempre é legal. Se não soubermos empregar a inteligência social com eficiência e qualidade, nossas falas se tornam simples agressões capazes de transformar conversas, relacionamentos, ambientes e também, oportunidades. Em outras palavras, precisamos diferenciar a sinceridade do sincericídio.

Sincericídio, grosso modo, é a exposição de uma verdade relativa. Isso porque a verdade em si é um avaliação individual. No caso, a pessoa pontua opiniões e julgamentos sem considerar o sentimento do receptor ou a conveniência social. Consequentemente, acaba sendo bastante inapropriado e prejudica sua própria imagem.

Mesmo que ser sincero seja uma virtude estimulada a vida inteira, é essencial que, na nossa vida adulta, saibamos usá-la com prudência, respeito, propósito e empatia. 

Acompanhe o post, entenda o sincericídio em detalhes, seus males para a vida pessoal e profissional e aprenda a evitá-lo. Boa leitura.

Afinal, o que é sincericídio?

Falar a verdade é um atributo praticamente incontestável, a desconsiderar exposições inconvenientes de pontos de vista, ideias ou opiniões, que não visam nada além da satisfação do próprio ego. Neste caso, estamos falando de sincericídio.

Assim como dissemos, o sincericídio é uma forma de expressar verdades relativas sem filtros sociais. Ou seja, o indivíduo pontua suas convicções sem considerar o que o outro sentirá, a necessidade dessa exposição e nem as consequências dela. O foco está em sanar a vontade de dizer algo, mesmo que seja cruel e inapropriado.

A incapacidade de filtrar comentários pela sua conveniência pode gerar grandes dores de cabeça, tanto no cenário pessoal quanto profissional. Pessoas podem ficar verdadeiramente magoadas e ofendidas por esse posicionamento explícito, dificultando a criação e sustentação de laços afetivos, relacionamentos amorosos, amizades, convivência familiar, dentre outros. 

imagine agora dizer tudo o que vem a mente em uma entrevista de emprego, em uma reunião com o chefe, em uma atividade interpessoal com colegas menos íntimos, em uma ligação importante com um cliente, em uma reunião de feedback, e assim por diante. Não parece um cenário muito favorável, certo?

O sincericídio pode comprometer o desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo, por isso se for identificado, é preciso corrigi-lo com urgência. Não se trata de estimular o uso da mentira, mas de saber as maneiras mais apropriadas de pontuar opiniões e os momentos mais adequados. E caso não houver, omiti-las.

Especialistas em comportamento destacam que a verdade é uma arma poderosa; quando usada com critério, pode otimizar o processo evolutivo, e quando usada sem, pode destruir relações sociais e projeções laborais.

Quais as diferenças entre o sincericídio e a sinceridade?

Para te ajudar a entender melhor, confira a seguir a diferença entre a sinceridade e o sincericídio. 

Sinceridade

A sinceridade é um traço do caráter ou da personalidade de um indivíduo, que faz menção a autenticidade, lealdade, franqueza e lisura do seu modo de agir e pensar. É uma virtude capaz de influenciar todo sistema a volta da pessoa. 

Isso porque existem propósitos vinculados a expressão de pensamentos, ou seja, a fala da pessoa sincera possibilita o desenvolvimento de ações de conscientização, promoção de aprendizados característico, estruturação de melhorias, reflexões íntimas, e assim por diante.

Desta forma, tanto no âmbito pessoal quanto profissional, o indivíduo é capaz de estimular o bem e construir relações saudáveis. A sinceridade expressa com cuidado só o que realmente é indispensável.

O romancista e ensaísta francês André Maurois avalia que “a sinceridade é de vidro e a discrição de diamante“.

Sincericídio

Como o próprio nome sugere, sincericídio é um neologismo que resulta da junção das palavras sinceridade e suicídio. Conforme vimos até aqui, ele pode realmente ser  destrutivo por desconsiderar questões essenciais para a sobrevivência social. 

Independentemente do cenário, a fala desprovida da responsabilidade afetiva, reflexão empática, considerações estruturais e inteligência emocional, pode agredir, moral e psicologicamente, a outros. Isso implica, inevitavelmente, problemas com a imagem e reputação do indivíduo emissor.

Ao contrário da sinceridade, o sincericídio desconsidera propósitos por isso não é feito para ajudar ao próximo e sim, para amaciar a própria satisfação.

Oscar Wilde, poeta e dramaturgo britânico, reforça que: “pouca sinceridade é uma coisa perigosa, e muita sinceridade é absolutamente fatal”.

Se você quiser entender sobre mapeamento comportamental, recomendamos a leitura deste artigo aqui.

Como evitar empregar o sincericídio no dia a dia?

Agora que você já sabe o que é o sincericídio e entendeu a sua diferença em relação a sinceridade, aprenda alguma dicas de como evitá-lo no dia a dia e melhorar a qualidade dos relacionamentos pessoais e profissionais. Confira a seguir!

Trabalhe o autoconhecimento

Antes de mais nada, é fundamental reconhecer que você pratica o sincericídio. O autoconhecimento é fator decisivo para evitar a reprodução desse mal e prejudicar partes importantes da sua vida.

Como a prática pode ser um ciclo inconsciente, procure prestar atenção às suas falas e a reação dos demais ao ouví-las. Se for necessário, peça a opinião de amigos íntimos. Mesmo que você discorde das opiniões deles, reflita sobre as suas próprias condutas.

Em caso afirmativo, você deverá adotar algumas práticas no seu cotidiano que te ajudarão a evitar essa reprodução automática e preservar o bem-estar dos seus relacionamentos. 

Ressignificar situações anteriores

A segunda dica é aprender com os erros. Evidentemente, na vida, passamos por diversas situações em que acertamos e que também erramos ao expor uma opinião. 

Considerando, justamente, essas falhas é possível ressignificar a experiência e aprender com ela. Desta forma, analise o seu contexto, o perfil do receptor, a fonte da necessidade de pontuar, o propósito desta exposição, o sentimento do outro ao receber esse feedback, e assim por diante.  

Compreendendo melhor suas ações e atitudes, é possível criar gatilhos mentais para se policiar e evitar novas reproduções deste erro.

Perdoe o erro

Ressignificado a experiência inapropriada, é hora de perdoar essa falha. Ninguém é perfeito e todos estamos sujeitos ao erro. O importante é aprender com eles e não repetí-los.

O mesmo vale para o inverso, perdoe a pessoa que tenha cometido sincericídio com você. Afinal de contas, muitas pessoas ainda não possuem consciência desse comportamento e ainda têm muito o que amadurecer.

Portanto, perdoe. Assim, você melhor a qualidade da sua saúde mental e se permite criar novas experiências com mais responsabilidade e cuidado.

Procure ser mais positivo

O sincericídio costuma estimular hábitos negativos como o pessimismo, insensibilidade, frieza, egocentrismo, dentre outros. Por isso, ser mais positivo também é uma forma de bloquear esse estímulo.

Procure fortalecer os gatilhos mentais criados para evitar o sincericídio. Ao perceber que dirá algo que não é construtivo ou que possa ferir alguém, tente substituir a informação por algo gentil, agradável, um elogio, e assim por diante.

A cada atitude como essa, o seu desenvolvimento é evidente e o sincericídio se torna uma prática mais controlável. Desta forma, mais do que ser sincero a todo custo, sua verdade ganha validade.

Busque praticar a empatia sempre

Uma forte característica do sincericídio é a falta de consideração com o sentimento do outro ao evidenciar um ponto de vista, certo? Portanto, para evitá-lo no dia a dia é indispensável estimular o seu oposto, a empatia. 

Aprenda a se colocar no lugar do outro, ou seja, sempre que for possível, antes de dizer algo, procure considerar como você se sentiria ao ouvir tal informação.

Desta forma, você cultiva o hábito da empatia e evitar dizer coisas que possam ferir alguém e prejudicar a sua relação com o meio.

Invista nas habilidades sociais

Outra dica importante para evitar o sincericídio é melhorar suas habilidades sociais. Procure observar o perfil das pessoas com quem você se relaciona, conheça seu caráter, seu humor, seu temperamento, sua posição profissional, e assim por diante.

Como o impacto das palavras tem peso diferente dependendo da pessoa que as recebe, o perfil de cada um é fator determinante. Ou seja, além da questão da intimidade, que é decisiva para a interpretação dessas opiniões, o tipo de personalidade também está relacionada.

Conhecendo melhor essas características, você será capaz de encontrar melhores formas de expressar suas ideias e ajustar maneiras pouco eficientes, preservando assim, o bem-estar do outro. 

Procure encontrar o momento certo

Mudar não é uma tarefa fácil, é um desafio expressivo mas necessário para a nossa evolução. Para evitar o sincericídio e mudar esse hábito rude, é importante também considerar o momento certo para pontuar opiniões.

Em outras palavras, na hora de se expressar, principalmente quando se trata de críticas, é fundamental escolher o momento certo para evitar mal entendidos e situações constrangedoras.

Além disso, lembre-se de escolher bem as palavras para não magoar o receptor ou criar a impressão de prepotência e arrogância.

Evitar o sincericídio é o mesmo que mentir?

Não, evitar o sincericídio não é, definitivamente, o mesmo que mentir. Trata-se de desenvolver um autocontrole sobre as próprias falas, visando preservar a sua sobrevivência social.

Para isso, dosar a exposição de opiniões é indispensável, mesmo que pareça uma mentira. Vamos ver exemplos? 

Imagine que você foi convidado para um jantar na casa de um colega, mas o menu não é do seu agrado e a comida ainda está sem sal. Dizer que não gosta do cardápio servido e que o prato está pouco apetitoso não é nada apropriado, respeitoso ou gentil. 

Mesmo que seja uma verdade para o seu gosto, não existe a necessidade de expor esse comentário, certo? O correto é omitir essa opinião, agradecer o convite e dizer que estava tudo excelente.

Imagine agora que você está atrasado para o trabalho, mas que não é o emprego dos seus sonhos. Ao ser questionado por um supervisor, dizer que tardou porque não tem motivação suficiente para vir trabalhar e que isto não é, nem de perto, o que gostaria de estar fazendo também não uma resposta inteligente, não é mesmo?

Mesmo que pareça sincero, é prejudicial para a sustentação do seu ofício. Desta forma, o correto seria se desculpa e assegurar que não aconteceria de novo. Omitir a sua verdade, neste caso, é uma medida importante para não comprometer a sua imagem.

Mensurar as melhores formas de apresentar ideias, considerar o público receptor, a necessidade dessa pontuação, as consequências desse posicionamento, são alguns exemplos de cuidados necessários para evitar o sincericídio. 

Viu, como não é o mesmo que mentir? É uma forma de sobrevivência social, de transmitir a informação de maneira adequada.

Os perigos da sinceridade exposta

Diante os cenários apresentados, podemos constatar que a sinceridade exposta sem condescendência é ainda mais transgressora do que a mentira. 

Para atingir metas pessoais ou profissionais com eficiência, é essencial que habilidades sociais sejam desenvolvidas. Por isso, pensar e agir de maneira estratégica, responsável e criteriosa é indispensável.

Policiar a própria conduta para evitar a reprodução do sincericídio é um passo significativo nessa jornada. A arte de escolher as palavras certas, o momento mais adequado e considerar o interlocutor, é um diferencial expressivo.

Portanto, não se trata de fazer apologia da inverdade ou ser falso diante de situações gerais, mas de saber que existe uma espécie de manual de civilidade que nos aponta os bons e os maus modos.

Essas regras permitem uma convivência mais saudável e segura, provando que a exposição de verdades, mesmo que relativas, sem filtro pode ser destrutiva. 

O sincericídio é um mal evitável, que com dedicação e controle rigoroso pode ser solucionado. Assim, a sinceridade se sobressai e o uso da verdade ganha propósito claro. Afinal, a verdade, transmitida com inteligência e motivada por boas intenções, será sempre benéfica.

 

E aí, gostou do artigo, conseguiu entender como superar o sincericídio? Se você ainda tiver alguma dúvida, deixe aqui pra gente nos comentários. Um de nossos especialistas poderá te ajudar!

 

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