RH em tempos de crise: como controlar os desafios organizacionais?

rh em tempos de crise

O mundo vive um momento de grande tensão com a descoberta do novo coronavírus. Isolamento social, paralisação generalizada e adoção de novas medidas de segurança sanitária são algumas das ações emergenciais adotadas. No Brasil não é diferente. 

A necessidade de distanciamento social que a doença do Covid-19 impõe para evitar uma disseminação ascendente, que fuja do controle do sistema de saúde do país, trouxe também a quarentena, voluntária ou obrigatória, como medida preventiva.

Com isso, as organizações precisaram enviar seus colaboradores de volta pra casa e rever todo o seu funcionamento e planejamento estratégico. Mais do que nunca, a equipe de Recursos Humanos (RH) se torna essencial para conduzir a gestão de pessoas. 

Neste post vamos discutir como o setor de RH deve atuar na gestão de crise, diante de alguns dos desafios mais comuns que as organizações, possivelmente, viverão nos próximos meses. 

Acompanhe o post e entenda o papel do RH em tempos de crise. Boa leitura!

Qual a relação entre RH e a pandemia do Covid-19?

Diante da avassaladora crise do novo coronavírus, as empresas colocaram como questão primária enviar as pessoas para casa. Depois, gestores, liderados pelo RH, discutiram questões organizacionais como clima, engajamento, produtividade, comunicação interna, e assim por diante

Para o RH, em tempos de crise as decisões estratégicas são ainda mais importantes do que no cotidiano. Isso porque sua atuação e tomada de decisões passam a ser decisivas para manter a força de trabalho unida, comprometida e produtiva, em novos cenário.

Em qualquer empresa, o departamento de RH exerce um papel vital na proteção e preservação do capital humano. Perante qualquer mudança ou situação negativa, os profissionais de Recursos Humanos entram em ação para supervisionar o processo e cuidar do bem-estar dos colaboradores. E agora, diante do coronavírus, não será diferente.

A comunicação interna deve ser muito bem alimentada para evitar o estresse, ansiedade, medo e outras preocupações, que poderão tornar a fase ainda pior.

A gestão de RH em tempos de crise é a solução para garantir a retenção dos melhores talentos da organização, assegurar o compartilhamento de valores e manter índices de produtividade.

O que é Gestão de Crise?

Crise. Palavra pequena mas que pode trazer consequências gigantes, principalmente quando as empresas são pegas de surpresa. Para evitar que essas consequências impactem a realidade organizacional de modo descontrolado e perverso, a gestão de crise deve ser uma prioridade.

Gestão de crise é um processo de inteligência administrativa que estuda o potencial de impacto de um risco para a instituição. Criada pelas lideranças, riscos de diversas naturezas podem ser avaliadas, tais como imagem, marca, situação financeira, estrutura organizacional, clima, comunicação falha, dentre outros.

O processo desenvolve manuais de conduta diante da possibilidade de uma crise se instaurar, por isso considera questões como:

  • os procedimentos que deverão ser adotados;
  • os responsáveis por cada medida emergencial;
  • as prioridades organizacionais;
  • as formas de investimento e aplicação de recursos;
  • o tempo de resposta ao problema;
  • o tempo de resposta com o público;
  • a antecipação de situações comprometedoras;
  • as medidas de preservação de imagem;
  • os formas de fortalecer a cultura organizacional.

A gestão de crise organiza a empresa para reagir as situações da forma mais segura e eficiente possível. Se você quiser saber mais sobre essa gestão no âmbito financeiro, recomendamos a leitura deste material aqui.

Como o RH pode atuar diante da crise?

Perante a crise do novo coronavírus, uma gestão de crise é indispensável. Tendo em mente tanto o cenário externo quanto o interno, as organizações precisam agir para assegurar impactos menos desconcertantes.

No que diz respeito ao público interno, o setor de RH é o responsável por adotar medidas de controle e cuidado. Confira a seguir como deve atuar o RH em tempos de crise, diante dos desafios organizacionais mais comuns.

Transmissão de segurança e confiança aos colaboradores

Qualquer situação que gere mudanças pode ser assustadora. Em situações de crise econômica, em essas mudanças costumam são generalizadas, a sensação de insegurança se torna ainda mais intensa. 

Justamente por isso, a empresa deve se posicionar e transmitir segurança aos colaboradores. O RH em tempos de crise deve desenvolver estratégias para reforçar esse posicionamento, passando confiança e tranquilizando a força de trabalho. 

O emprego estará mantido? Como ficará o salário? A empresa conseguirá passar pela crise? As pessoas ficarão quanto tempo em home office? Como será o contato com a organização? Quais serão os critérios de corte? O que fazer para ajudar? Perguntas como essa deverão surgir e os profissionais de RH deverão estar preparados. 

Manter um diálogo transparente e coerente é essencial para passar uma mensagem paliativa, que assegure credibilidade. 

Aqui, vale ressaltar que ser transparente não significa comunicar qualquer cenário ruim, que possa deixar a força de trabalho desequilibrada e alarmada. É preciso ter responsabilidade, compromisso e critérios para informar os colaboradores sobre a real situação da empresa.

Realização de demissões e afastamentos necessários

Outra questão importante a ser trabalhada pelo RH em tempos de crise é a demissão e os afastamentos.

Diante da instabilidade econômica que a pandemia do novo coronavírus gerou, algumas organizações poderão precisar reduzir sua força de trabalho, e o setor de RH terá a difícil tarefa de conduzir o processo.

Para isso, é essencial adotar uma postura humanizada, apresentar de forma clara as razões pela decisão, explicar todos os direitos legais que o colaborador tem e as formas como conquistá-los, posicionar a organização e oferecer todo suporte necessário. 

Já em casos de contaminação pelo Covid-19, o colaborador precisará ser isolado e enviado para casa. Em situações de afastamento como essa, deverá ser considerado uma ausência por falta justificada, não havendo desconto dos dias de repouso obrigatório.

De acordo com os últimos anúncios oficiais. o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) será o responsável pelo pagamentos dos dias em afastamento.

Além disso, como medida de apoio às empresas, para contabilizar os dias de trabalho irregular durante a quarentena obrigatória, o governo federal autorizou a antecipação de férias individuais com notificação de no mínimo 48 horas de antecedência e férias coletivas, sem necessidade de comunicação aos sindicatos da categoria.

Realização de recrutamento e seleção remotos

Diferente do que a maioria das pessoas pensa, o RH em tempos de crise também realiza contratações. Portanto, todo trabalho de recrutamento e seleção são realizados remotamente, exigindo ainda mais criatividade e foco dos profissionais do setor.

Para evitar aglomerações e contato físico, as entrevistas, dinâmicas, testes, treinamentos, dentre outros, serão efetuados on-line com suporte da tecnologia. Para muitos candidatos, a possibilidade de realizar as etapas mais estressantes do processo em casa é um ponto a favor. Assim, o nervosismo não os impedirá de explorar suas melhores qualidades, sendo uma vantagem para a organização.

Feito isso, outras soluções de gestão digital de RH também podem ser adotadas, tais como a admissão digital, folha de pagamento digital, controle de férias digital, controle de ponto digital, e assim por diante.

Assim, no caso de contratação, os novos funcionários podem fazer o upload dos documentos pessoais em uma plataforma exclusiva, assinar digitalmente o contrato de trabalho e conhecer a cultura organizacional por meio de vídeos ou explicativos eletrônicos.

Vale ressaltar que o RH em tempos de crise visa encontrar talentos diferenciais, que possam ajudar a organização a superar a situação crítica com mais leveza. Portanto, as estratégias de recrutamento deverão estar voltadas para atrair e reter esses profissionais.

Fortalecimento da cultura organizacional

A necessidade de distanciamento social imposta pelo risco de contaminação do novo coronavírus leva as organizações a se adaptarem, mesmo que a contragosto, para assegurar a sua sustentabilidade.

Como as consequências econômicas e políticas devem ser sentidas por um período significativo, é essencial que a organização tenha um planejamento de crise e uma cultura que sustente essas estratégias.  

Desta forma, o RH em tempos de crise também deve se atentar a cultura organizacional. Com os funcionários afastados, trabalhando de suas casas, impedidos de dividir experiências cotidianas, o compartilhamento de valores e o compromisso com o mesmo propósito podem acabar enfraquecendo. 

Por isso, diante de incertezas e inseguranças, a cultura deve ser reforçada para manter a equipe profissional sã, segura, unida e produtiva.

Assim, o setor de RH pode manter contato frequente com a força de trabalho, enviar feedbacks constantemente, oferecer reconhecimento público por conquistas, enviar felicitações exclusivas, manter a criação de um material gráfico que reforce os valores da marca, e assim por diante.

As lideranças devem investir seriamente na gestão do capital humano, porque são as pessoas da própria empresa que vão conduzir a jornada da empresa de volta ao desenvolvimento.

Implementação do home office

Assim como dissemos, o trabalho remoto se tornou uma realidade. O RH também deve cuidar da qualidade do home office

Para isso, é preciso avaliar se:

  • os funcionários possuem um local adequado para trabalhar;
  • os equipamentos disponíveis serão suficientes para o desenvolvimento normal do trabalho;
  • as cadeira e mesas são confortáveis;
  • existem telefones disponíveis no local;
  • o local tem acesso à internet;
  • os computadores possuem soluções para a realização de reuniões on-line;
  • a empresa pode ceder equipamentos institucionais;
  • a empresa vai arcar com os gastos de luz e internet;
  • o colaborador precisa de algum suporte especifico.

Cabe ao setor de RH e aos gestores mapearem os obstáculos e as ações a serem tomadas para lidar com as possíveis dificuldades. É indispensável que a organização dê esse suporte para que o trabalho remoto possa ser executado com qualidade.

A curto prazo, quando a crise efetivamente findar, as empresas que não olharam com cuidado para o capital humano podem, além da questão econômica, ter um outro grande problema: compromisso.

Se a empresa não cuidar da relação com a sua força de trabalho, ela pode acabar se desmotivando e comprometendo a jornada de volta ao desenvolvimento. No primeiro momento, ela deve permanecer onde está. Mas, se surgir alguma nova oportunidade que estimule o profissional de forma mais ativa, ele, possivelmente, irá embora e a empresa perderá um talento treinado.

A força de trabalho é o instrumento de maior valor de qualquer organização. Se ela não estiver comprometida e satisfeita, dificilmente a empresa vai progredir. O RH em tempos de crise é o responsável direto por esse cuidado, por isso deve dedicar atenção e estender suporte com empatia, prontidão, criatividade e respeito.

 

Legal, né? E no seu trabalho, como está sendo a gestão desse momento tão crucial para a sobrevivência da organização?  Conta tudo pra gente aqui nos comentários! 

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