Política de namoro: o que é e como posso implantá-la na minha empresa?

A política de namoro é um conjunto de regras de conduta que busca direcionar o colaborador em casos de relacionamento afetivo no ambiente corporativo.

Neste artigo abordaremos a questão da política de namoro dentro das empresas. Quais as responsabilidades da empresa em relação ao tema? O que o funcionário precisa saber para respeitar a política de onde ele trabalha? Daremos dicas para as empresas construírem uma boa política de namoro no ambiente corporativo.

 

A importância da política de namoro na empresa

Seguir as regras da empresa pode evitar problemas trabalhistas e até uma possível demissão por justa causa

O relacionamento afetivo entre profissionais costuma ser motivo de preocupação para os setores de Recursos Humanos. Isso porque o tema envolve questões delicadas em que é preciso respeitar o limite de vida pessoal e, ao mesmo tempo, cuidar para que haja cumprimento de regras de conduta no ambiente corporativo.

Para auxiliar as empresas a apresentar claramente seu posicionamento, e evitar constrangimentos, ressalta-se a importância de criar uma política de namoro.

As chances de duas pessoas se envolverem afetivamente no trabalho são grandes. Isso porque ambas possuem interesses em comum e passam a maior parte de seus dias em contato no ambiente empresarial.

Segundo a lei trabalhista do Brasil, não é permitido restringir liberdades e direitos individuais de colaboradores. O que significa que as empresas não podem impedir que seus empregados se relacionem. Por isso, é tão importante manter uma política de namoro sempre atualizada e a disposição para consulta dos funcionários.

Vale ressaltar que, de tempos em tempos, é preciso refazer a divulgação do assunto com a finalidade de atualizar os antigos funcionários sobre possíveis mudanças na política de namoro da empresa e também permitir que novos funcionários tenham conhecimento sobre como a instituição trata a questão.

O que é permitido por lei são orientações para coibir demonstrações públicas de afeto durante o expediente. Podem ser destacados na política de namoro itens que falem sobre beijos, abraços acalorados e, em casos mais extremos, relações sexuais nas dependências da empresa. Esse último caso, inclusive, se enquadra em demissão por justa causa.

Mas o que considerar na hora de fazer uma política de namoro, abaixo selecionamos alguns pontos importantes para se considerar referente ao tema.

 

Como fazer uma política de namoro

1. Cultura organizacional

É indicado que o RH reveja a missão, visão e valores da organização. Esses itens norteiam todo os processos e estratégias da empresa e devem estar também dentro da política de namoro. A partir deles é possível identificar, por exemplo, se a organização é flexível ou rígida com regras, se ela prioriza a liberdade de seus funcionários e etc.

 

2. Consultar gestores, diretoria e presidência

Questionar os gestores, a diretoria e a presidência da empresa antes de iniciar a redação da política de namoro. Essa conversa é essencial para evitar possíveis discordâncias no discurso organizacional. Além disso, elas podem nortear o trabalho do RH sobre como agir e também a orientar os gestores em como lidar com as situações.

 

3. Criação de regras claras

Como dito anteriormente, no Brasil as empresas não podem proibir a relação amorosa entre seus funcionários. Casais que sentem obrigados a terminar uma relação ou se sentem pressionados de alguma forma podem entrar com processo na Justiça Trabalhista.

Por isso, é preciso muito cuidado na abordagem dos pares e na redação de regras claras sobre a política de namoro. O texto deve ter orientações sem margem para dupla interpretação.

 

4. Divulgar e tirar dúvidas dos colaboradores

Após elaborar a política de namoro é importante fazê-la ser conhecida por todos da empresa. As regras devem ser claras para evitar distorções de interpretação.  É fundamental fazer a política de namoro ser reconhecida por funcionários atuais, recém-contratados e novos candidatos.

Nesse sentido, a divulgação dessas regras deve fazer parte do calendário de envios na intranet, das campanhas de conscientização e até de ações em murais, encarte em kit de boas-vindas, palestras temáticas etc.

 

5. Preveja as situações

A política de namoro é importante, mas quando é necessária uma ação mais direta do RH? Preveja as situações abaixo na sua política de namoro e crie regras claras:

  • Diminuição da produtividade por brigas entre o casal, conversas fora de hora, dentre outros;
  • Promoção desleal ou favorecimento de subordinado nos casos em que há diferença de hierarquia;
  • Ciúme excessivo de uma das partes. Dependendo do caso o ciúme atrapalha o desempenho do par e interfere nas relações de trabalho impedindo-o ou atrapalhando o contato da pessoa com outros membros da equipe;
  • Tornar público detalhes da intimidade do casal expondo informações ou imagens que podem afetar a imagem de uma das partes e também ser motivo de fofoca entre departamentos;
  • Uso de e-mail, ou qualquer outro meio de comunicação corporativo, para mensagens de cunho amoroso.

 

6. Mantenha o diálogo aberto

Além da política de namoro, o diálogo entre gestor e os casais de colaboradores deve ser sempre o mais aberto, franco e amigável possível. É importante situar os profissionais sobre a ciência do namoro e deixá-los tranquilos quanto a represálias.

Nesse momento o gestor, com seu dom de coordenar pessoas e conhecendo sua equipe, deve orientar o casal para que mantenham uma postura discreta e profissional.

 

O que pode acontecer com um relacionamento no trabalho

Mesmo com uma política de namoro bem desenhada e determinada, algumas questões assustam as empresas quando um relacionamento acontece.

 

Queda de produtividade

Um dos maiores medos da empresa quando uma relação entre colaboradores acontece é a queda da produtividade. A tendência em um relacionamento é que o casal converse bastante diariamente, então ter acesso chats e conversas pessoalmente podem diminuir a evolução de trabalho ao longo dia.

 

Geração de fofocas

Qualquer briga entre o casal pode gerar conversas aos arredores da empresa e isso pode criar um ambiente pesado e até mesmo hostil entre os colaboradores. Muitas vezes os colaboradores se tornam amigos pessoais e uma briga pode trazer uma cisão entre a equipe, trazendo rivalidades e problemas de relacionamento entre os funcionários.

 

Pedidos de Demissão

Se pensarmos em um cenário que o casal acabou brigado, em muitos casos eles não conseguem nem olhar na cara do outro, e isso pode ser um problema. Em um ambiente onde eles convivem todos os dias, mesmo que a trabalho, a influência da relação pode atrapalhá-los profissionalmente.

Dependendo do término e desse atrito criado, um dos colaboradores pode até escolher a saída da empresa como a melhor opção para não ter que conviver com a outra pessoa.

 

Favorecer um profissional

Quando um colaborador tem um relacionamento com uma pessoa de um cargo superior ao dele pode-se criar um clima de favorecimento em alguns casos. Essa sensação pode ser interpretada negativamente pelos colaboradores, já que eles podem enxergar que o tratamento do superior com essa pessoa é diferenciado.

 

O que o funcionário deve fazer?

Muito se fala sobre os direitos da empresa em relação à política de namoro, mas pouco se fala sobre o que o colaborador deve fazer nesses casos. Por isso, separamos algumas dicas para o casal seguir e evitar problemas.

 

Seja discreto

A descrição é o melhor remédio nesses casos. Evite usar os canais de comunicação interno da empresa para mandar coisas da intimidade do casal. Nunca demonstre intimidade com beijos ou abraços dentro do ambiente de trabalho.

Durante o expediente sejam profissionais e esqueçam realmente a relação pessoal que vocês têm fora do ambiente de trabalho.

 

Evite expor sua vida pessoal

Evite expor demais sua vida pessoal. Contar segredos e intimidades do casal não faz parte de uma postura profissional. Esse é um assunto estritamente pessoal, então não conte para o mundo o que acontece com vocês diariamente.

 

Não quebre o relacionamento com a equipe

Um relacionamento entre casais não pode atrapalhar a relação da equipe. Essa questão é importante, pois os dois podem se isolar de todos os outros colaboradores e criar seu próprio mundo, o que não é bom para um ambiente de trabalho saudável.

Além disso, o casal precisa entender o que é relacionamento profissional e pessoal, para que o ciúme não tome um dos dois lados e crie intrigas desnecessárias entre a equipe.

 

Contato físico nem pensar!

Evite abraços, carinhos, beijos e mantenha a postura profissional. É bom lembrar que contatos físicos podem levar o profissional a demissão por justa causa.

 

Uma boa política de namoro evita os problemas

Uma política de namoro precisa de alguma forma estar presente dentro das regras da empresa. O assunto não é um bicho de sete cabeças, mas pode se tornar se não houver limites tanto no tratamento da empresa com o casal, como por parte dos colaboradores envolvidos.

O segredo é manter o bom senso e tentar separar as relações pessoais das profissionais. Saber o que a empresa acha sobre o tema e quais as consequências dessa relação pode minimizar os problemas.

E por parte da empresa, por mais delicado que esse tema possa parecer, é necessário expor suas posições para os colaboradores, sem é claro de deixá-los em saia justa. Criar preconceitos ou excluir um profissional só porque ele tem um relacionamento dentro da empresa está fora da lei.

Em contrapartida, exigir que o colaborador siga sua política de namoro é mais do que aceitável. Porém, o maior desafio dos gestores e do departamento de RH é deixar as portas abertas para que o colaborador se sinta à vontade para conversar sobre o assunto.

 

E você já possui uma política de namoro na sua empresa? Se quer se aprofundar mais sobre a gestão de pessoas no ambiente de trabalho leia nosso artigo sobre “As 6 melhores práticas de gestão de pessoas que você deve adotar”, clicando aqui.

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