pirâmide financeira

Pirâmide financeira: como evitar cair neste golpe!

Ser apresentando a uma proposta de investimento ou trabalho que promete o ganho de dinheiro fácil é tentador, principalmente, no cenário financeiro do Brasil. Por esse motivo, cair em golpes de empresas, por meio da pirâmide financeira, é bastante comum no país.

Certamente, você ou algum conhecido já foi abordado por alguma destas pessoas que apresentam essas soluções, quase milagrosas, para sair de dívidas ou aumentar a renda mensal. Assim, não é difícil conhecer alguma história de quem foi prejudicado.

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), apontou que 11% dos brasileiros já perderam dinheiro em fraudes de investimentos.

O mesmo levantamento, realizado em 2019, demonstrou ainda que mais da metade desses golpes são os conhecidos esquemas de pirâmide financeira.  Por isso, neste artigo, vamos abordar tudo o que você precisa saber para não cair no golpe dessas empresas.

Ao continuar a leitura, você vai aprender:

  • O que é pirâmide financeira?
  • Por que a pirâmide financeira é crime?
  • Qual a diferença para o marketing multinível?
  • Como saber se a oferta de negócio é uma pirâmide financeira?
  • Prometer dinheiro fácil e rápido
  • Caí no golpe. O que posso fazer?
  • Casos famosos de pirâmide financeira no Brasil

Então, vamos lá!

O que é pirâmide financeira?

Trata-se de um esquema financeiro fraudulento que promete ganho fácil de dinheiro, e considerado crime contra e economia popular no Brasil, de acordo com a Lei 1.521/51.

A principal característica da pirâmide financeira é o formato pelo qual o lucro será conquistado pelo investidor

Basicamente, estes esquemas envolvem o recrutamento de novos membros para o grupo e, da chegada desta nova pessoa, será calculado o ganho de quem o indicou.

O nome do golpe descreve perfeitamente como ele é realizado: um investidor indica um novo membro que ficará no nível abaixo dele, por sua vez, este integrante tem a meta de chamar mais pessoas para ocupar o degrau abaixo. 

Desta forma, o investidor do topo tem ainda mais lucro. A pirâmide financeira não é um formato novo e, desde 2016, teve a atenção do Ministério Público reforçada, com o lançamento de uma cartilha educativa sobre o tema.

Por que a pirâmide financeira é crime?

A principal fonte de renda de uma pirâmide financeira é o investimento que os novos membros realizam para entrar no esquema. Porém, em determinado momento, será impossível recrutar novos investidores, já que a sociedade é finita.

Mesmo que não tenha se esgotado o número de pessoas que possam ser impactadas pelo negócio, pode ser que não haja mais interessados e, se não houver novos membros, não entra dinheiro.

É por esse motivo que os investimentos desta categoria são considerados ilegais, em todo o mundo. Em algum momento, não haverá fonte de renda, logo, os lucros prometidos para os investidores dos níveis superiores não serão pagos, configurando o crime.

Normalmente, quem costuma sofrer os maiores prejuízos são justamente os investidores dos níveis inferiores, que acabam não tendo retorno do dinheiro aplicado.

Qual a diferença para o marketing multinível?

Na maioria das vezes, os esquemas de pirâmide financeira estão disfarçados de empresas de marketing multinível, uma forma de atuação permitida no Brasil. Por isso, é preciso ficar atento aos detalhes que os diferenciam.

No marketing multinível, os principais lucros dos novos integram são oriundos da venda de produtos e, a indicação de novos membros é apenas uma maneira de aumentar seu rendimento.

Este formato é legal, porque a fonte de renda do membro depende do seu trabalho como vendedor de determinado item. Espera-se que pelo menos 70% desse valor esteja relacionado ao lucro da venda de produtos.

O que cada membro ganhar a mais por indicação de novos vendedores é um extra e não a principal forma de ganhar dinheiro.

Outro ponto diferencial é que, no marketing multinível, o produto oferecido costuma estar bastante claro (como itens de beleza), já na pirâmide financeira, nem sempre é fácil entender qual serviço a empresa comercializa.

Como saber se a oferta de negócio é uma pirâmide financeira?

As empresas que atuam neste esquema, normalmente, apresentam algumas características básicas, entre elas:

Prometer dinheiro fácil e rápido

Essa é a principal promessa presente em todas as pirâmides financeiras. Os novos membros são recrutados ao serem apresentados a propostas que oferecem lucros acima das demais categorias de investimentos fixos seguros, como a poupança.

Alguns ainda prometem dobrar o dinheiro investido em apenas poucos meses, por isso, fique ainda mais atento se os lucros diários forem de 2% ou ainda 10% ao mês. 

Normalmente, investimentos seguros não apresentam rendimento tão alto, em especial, em um curto espaço de tempo. 

Guarde em mente que nem os investimentos de alto risco, como a bolsa de valores, geram rendimento tão elevados como os prometidos pelas pirâmides financeiras.

Ganhos extras ao indicar novos investidores

Outro fator bastante comum nas pirâmides financeiras é a ênfase na necessidade de recrutar novos investidores com o objetivo de aumentar a renda.

Apesar de também ser uma característica do marketing multinível, no esquema fraudulento, o ganho financeiro está ainda mais atrelado ao recrutamento.

Por isso, se a proposta disser que você vai ganhar mais recrutando do que vendendo o produto, grandes chances de estar sendo apresentado a uma pirâmide financeira.

Ausência de informação sobre o produto oferecido

Como abordado anteriormente, uma das diferenças entre o marketing multinível e a pirâmide financeira é a falta de informação ou clareza sobre o produto que a empresa oferece ao consumidor.

Caso tenha dificuldades em entender o que a companhia faz e vende, desconfie e busque mais informações sobre o negócio. Empresas sérias de marketing multinível apresentam claramente quais os produtos estão no mercado, como vendê-los e quais os lucros oferecidos ao vendedor.

É comum, por exemplo, esquemas de pirâmide financeira trabalharem com cursos para investidores ou ainda com ferramentas tecnológicas desconhecidas. Por isso, aceitam participar por acharem que só não compreendem, porque não se familiarizaram com o produto.

Falta de dados sobre a empresa e os donos

Se ao ser apresentado a uma oportunidade de negócio, você tiver dificuldades para encontrar informações sobre a origem da empresa ou dos seus donos, não faça nenhum investimento. Existem meios disponíveis para descobrir a seriedade de uma companhia.

Um deles é fazer uma consulta à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), vinculada ao Ministério da Economia. Trata-se do órgão responsável por fiscalizar os integrantes do mercado e, por isso, terá as informações de todas as empresas legais do país.

Uso de criptomoedas e sistema forex

Uma característica comum a maioria dos esquemas de pirâmides financeiras é a aposta em transações envolvendo criptomoedas, como o bitcoin, moeda virtual que virou febre no país nos últimos anos.

Outro atrativo é o sistema forex, operação de compra e venda simultânea de moedas, que são negociadas em pares. Não há compra de moeda e sim uma relação de troca.

Estas empresas utilizam essas transações porque o novo membro não entende do negócio e não desconfia da fraude em que está investimento. Vale destacar que como qualquer outra, as criptomoedas também oscilam, podendo se desvalorizar a qualquer momento.

Caí no golpe. O que posso fazer?

Antes de tudo, o ideal é que você esteja ciente da existência deste tipo de golpe no Brasil e evitar ao máximo investir em uma pirâmide financeira. 

Entretanto, como falado anteriormente, as propostas são atrativas e, caso tenha entrado no esquema, há caminhos para fazer denúncias.

A orientação é que a vítima da pirâmide financeira faça uma denúncia no Ministério Público, seja federal ou estadual, ou ainda nas polícias civil e federal.

A denúncia, porém, não é garantia de retorno do dinheiro perdido. Especialmente, porque o rendimento destes investimentos é totalmente realizado a partir de novos membros e, quando um esquema cai, a fonte de dinheiro seca.

Apesar de parecer simples de identificar esquemas fraudulentos, o número de lesados no país tem crescido substancialmente. Números da CVM apontam que até maio deste ano, já foram registradas 163 reclamações.

Parece um índice baixo, porém, vale lembrar que em cada denúncia pode conter milhares de consumidores lesados por estas empresas.

Casos famosos de pirâmide financeira no Brasil

Infelizmente, não é difícil encontrar nos noticiários casos famosos de golpes em pirâmide financeira no país, inclusive, sobre prisão dos empresários envolvidos. Abaixo, vamos listar alguns dos principais golpes já descobertos no Brasil.

Unick Forex

Um dos golpes mais conhecidos é da empresa Unick Forex, acusada de captar mais de R$28 bilhões e causar prejuízo a milhares de clientes no Brasil. 

A companhia do Rio Grande do Sul entrou no mercado como Unick Academy, oferecendo cursos de investimentos. Depois, se tornou Unick Forex e passou a ofertar investimentos no mercado de forex, garantindo lucro para os clientes. 

Porém, o Forex não é regularizado no Brasil e nenhuma empresa está autorizada a oferecer este tipo de aplicação pela CVM.

Esse esquema tinha duas características fortes de pirâmide financeira: promessa de alto rendimento ao investir em bitcoin (4% ao dia) e valores extras na indicação de novos investidores.

Em outubro de 2019, a empresa foi alvo da operação da polícia federal, chamada Operação Lamanai, resultando na prisão dos sócios.  A Unick Forex é acusada de diversos crimes contra o sistema financeiro nacional, como o da formação de pirâmide financeira.

Desde abril, o presidente da companhia, Leidimar Lopes, responde ao processo em liberdade provisória e as vítimas ainda não foram indenizadas.

MinerWorld

Em 2017, a MinerWorld ficou famosa por atrair muitos associados. Se autodenominava, uma empresa que atuava no Brasil e no Paraguai, que afirmava realizar mineração de bitcoins.

Sua sede ficava em Ciudad del Lest, onde supostamente realizavam a mineração das criptomoedas. Além disso, também tinha escritório no estado do Mato Grosso do Sul, com o intuito de conseguir novos investidores.

A promessa era de até 100% de lucro sobre o valor aplicado e, o que chamou atenção para a formação de pirâmide financeira, bônus para o recrutamento de novos membros. Entre os prêmios prometidos, estavam carros importados e viagens.

Cícero Saad, Johnnes Carvalho e Hércules Gobbi eram os responsáveis pela empresa, que começou a receber uma série de denúncias dos investidores que não estariam recebendo os lucros.

Na época, a MinerWorld alegou que tinha sofrido um ataque de hackers e por isso não cumpriu os pagamentos, mas o ocorrido nunca foi confirmado. A empresa virou alvo de inquérito da polícia federal, suspeita de crime contra a economia popular.

Estima-se que cerca de 150 mil brasileiros foram vítimas da mineradora e o processo ainda está em andamento no Ministério Público Estadual do Mato Grosso do Sul, que entrou em fevereiro deste ano com pedido de condenação dos réus por litigância de má-fé. 

Wolf Trade Club

Foi fundada em 2016, em Curitiba no Paraná. A proposta da empresa era levar informação sobre o mercado financeiro e tornar qualquer cidadão apto para fazer ações na bolsa de valores. Prometia rentabilidade de até 50% do valor investido em um prazo de três meses.

Segundo a Wolf Trade Club, eles realizavam operação de day trade na bolsa de valores, obtendo os lucros neste formato de atuação. Além de serem operações de risco, que não garantem retorno financeiro, prometiam 10% de bônus a cada novo membro indicado.

A empresa passou a receber reclamações dos investidores e passou a ser investigada pela CVM. Em outubro do ano passado, a polícia federal realizou a prisão temporária dos sócios da companhia, Hugo Felix da Silva e Henrique Oldair Mendes.

Estima-se que a Wolf Trade Club tenha lesado centenas de membros e lucrado mais de R$30 milhões.

Kriptacoin

Nos exemplos acima, as empresas atuavam com criptomoedas que realmente existem, mas um caso ganhou fama pela criação de uma moeda falsa. A Wall Street Corporate criou a kriptacoin para prometer lucro de 1% ao dia aos investidores.

A armação era bastante clara já que a empresa afirmava negociar os kriptacoins na Bolsa de Nova York, porém, criptomoedas não são negociadas no país.

Como todas as anteriores, a companhia que atuava em Brasília não tinha registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e enganou mais de 40 mil pessoas, lucrando mais de R$250 milhões. 

O caso se destacou porque os golpistas se exibiam dirigindo carros de luxo.

Em setembro de 2017, a Operação Patrick da polícia civil, indiciou 13 pessoas ligadas à empresa. No ano seguinte, a justiça condenou os envolvidos, entre eles Weverton Viana Marinho, considerado chefe do grupo.

A pena é de mais de 15 anos de prisão para os crimes de estelionato, crime contra a economia popular, uso de documentos falsos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Fazendas Reunidas Boi Gordo

Um dos casos antigos mais famosos de pirâmide financeira no Brasil foi o da Fazendas Reunidas Boi Gordo. Na época, a empresa prometia rendimento de até 42% em 18 meses, ao investir em bezerros e no processo de “engorda do gado”.

Na época em que a internet ainda não era utilizada no país, os novos membros eram atraídos por publicidade na televisão, nos intervalos da novela Rei do Gado e contando com o próprio ator Antônio Fagundes como garoto propaganda.

A temática rural estava presente na novela de sucesso da Rede Globo, ajudando ainda mais os golpistas a sensibilizarem os telespectadores. 

Assim como nos demais casos, o problema é a fonte do rendimento, que não era o gado, mas sim a entrada de novos investidores.

Em 2004, o esquema ruiu e mais de 32 mil pessoas foram lesadas, deixando uma dívida de R$4,2 bilhões. As fazendas da empresa foram leiloadas em 2016 e, com esse recurso, mais de 14 anos depois, as vítimas começaram a ser ressarcidas, porém, receberão apenas 10% do valor que investiram.

Fique atento aos sinais para não cair na pirâmide financeira

Como você pode perceber, as empresas fraudulentas do esquema de pirâmide financeira atuam quase sempre com o mesmo formato, o que facilita a identificação de possíveis golpes. 

Por isso, fique atento aos sinais e confira todas as informações sobre o investimento, antes de entrar no negócio.

Alguns sites especializados em bitcoins no Brasil apontam que existem mais de cem sites suspeitos de cometerem fraudes, entre elas, a da pirâmide financeira. No mundo, esse número pode ultrapassar a casa dos cinco mil.

Vale destacar ainda que você pode ser apresentado a um desses golpes por um amigo próximo ou até familiar. Certamente, eles não estão agindo com má-fé, mas também foram enganados com as propostas quase irrecusáveis.

Fique atento e busque formas confiáveis de investir seu dinheiro. Se quiser saber mais sobre investimentos seguros no mercado leia nosso guia “Investimento: o que é, como fazer e qual a melhor opção?”.  

 

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