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Investidor anjo: o que é, como esse tipo de investimento funciona?

O Brasil conta com mais de 12.700 startups, segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), e a busca por um investidor anjo é o caminho natural para se capitalizar e otimizar as chances de sucesso em um mercado altamente competitivo.

Grosso modo, investidor anjo é uma pessoa física que realiza aplicações em startups com alto potencial de crescimento e retorno, nas fases iniciais de seu desenvolvimento, com capital próprio. Além do montante aplicado, esse tipo de investidor também atua como um mentor, guiando as decisões do negócio por meio de smart-money (experiência, rede de contatos, execução de atividades,etc).

Se você quiser saber quais as principais características que os investidores analisam no mercado de startups, recomendamos a leitura deste artigo aqui.

Para entender o que é um investidor anjo e como essa modalidade de investimento funciona, continue acompanhando o post. Separamos as principais informações para te ajudar a conseguir essa aplicação estratégica. Boa leitura!

O que é uma Startup?

De forma bem resumida, Startup é uma empresa de base tecnológica que têm crescimento rápido, repetível, escalável e é disruptiva. Embora não se limite a negócios digitais, uma startup precisa de inovação constante para não ser considerada uma empresa de cunho tradicional.

Em outras palavras, startup é um modelo de negócio com grande potencial de evolução e lucratividade. Seu perfil inovador permite que ela ofereça soluções totalmente novas ou adaptações de referências menos eficientes repetidamente e com escalabilidade.

Isso quer dizer que ela é capaz de entregar o mesmo produto em escala potencialmente ilimitada e se desenvolver expressivamente sem impactar as finanças do modelo de negócio na mesma proporção. 

Além disso, essas empresas estão inseridas em mercados incertos, por isso são bastante flexíveis e adaptáveis para assegurar a sua sustentabilidade. No Brasil, as startups mais promissoras e rentáveis são:

  • iFood – entregas de comida pela internet
  • 99 – transporte de passageiros
  • Nubank – serviços financeiros
  • Pagseguro – serviços financeiros
  • Stone – métodos de pagamento
  • Ebanx – métodos de pagamento online
  • Wildlife – desenvolvedora de jogos
  • Gympass – plataforma de academias e planos corporativos
  • Quinto Andar – aluguel de imóveis
  • Loggi – serviços de logística
  • Arco Educação – soluções educacionais

Para atingir a qualidade operacional, as startups contam com diversos tipos de investimento, e um dos mais buscados é o investimento anjo.

O que é um investidor anjo?

O termo investidor anjo foi criado nos Estados Unidos, no início do século 20, para caracterizar os investidores que bancavam os custos de produção das peças da Broadway, assumindo os riscos e participando do seu retorno financeiro.

O conceito amadureceu e passou a ser usado para designar profissionais ou empresários experientes que fornecem não só capital financeiro, como também intelectual, apoiando projetos com suas bagagens profissionais, network, conhecimentos específicos, e assim por diante. Por isso, esse suporte ficou conhecido como Smart-Money.

As empresas beneficiadas por esse tipo de investidor costumam estar na fase inicial de desenvolvimento, atuam com tecnologias inovadoras e possuem expressivo potencial de crescimento e faturamento. Ou seja, startups.

Em troca dessa aplicação, o investidor anjo recebe uma participação na sociedade empresarial. Ele não assume uma posição executiva na empresa, mas atua como um conselheiro ou mentor, orientando os empreendedores e participando das decisões estratégicas. 

Esse profissional, geralmente, já trilhou uma carreira de sucesso, acumulando reserva suficientes para alocar uma pequena parte (5% a 10% do seu patrimônio) em investimentos. 

Seu conhecimento de mercado e gestão são relevantes, por isso essa mentoria é capaz de aumentar as chances de sucesso da empresa, bem como acelerar o seu desenvolvimento.

Como funciona essa modalidade de investimento?

O investimento anjo, normalmente, é feito por um grupo de 2 a 5 especialistas, tanto para dividir os riscos quanto para compartilhar a dedicação e o trabalho na operação. 

Um investidor-líder (Lead Investor ou Deal Leader se o seu investimento for apenas com trabalho) é escolhido entre eles para pré-avaliar o projeto e realizar as negociações com o empreendedor. Desta forma, os demais investidores (followers) podem interagir com o negócio de forma mais organizada, rápida e eficiente.

Como dissemos anteriormente, além do capital aplicado (cash in), esses investidores especialistas fornecem tempo e smart-money para otimizar o negócio. E em troca, eles recebem uma participação societária minoritária (de 5% a 40%) na organização.

O objetivo é multiplicar o investimento, por isso, o foco está em agregar conhecimento a empresa e fortalecer a sua capacidade comercial. Afinal, quanto mais o negócio se solidifica, mais os investidores-anjo ganham. 

No Brasil, existem grupos de investidores que concentram vários investidores-anjo, alguns das mais procurados são:

Como conseguir um investimento como esse?

Para atrair a atenção e o interesse de um investidor-anjo, a empresa deve ter quatro quesitos essenciais: inovação, escalabilidade, mercado amplo e um empreendedor engajado. Entenda a lógica a seguir, em detalhes.

Inovação

A inovação é o que proporciona o potencial de crescimento do negócio, por isso é fator indispensável para atrair investidores-anjo. Vale pontuar que inovação significa fazer algo diferente ou de uma forma diversa, e não exclusivamente criar algo novo.

Escalabilidade

Escalabilidade também é uma qualidade decisiva, porque é uma forma de assegurar ao investidor anjo que a empresa pode crescer sem aumentar as despesas na mesma proporção. E assim, garantir rentabilidade.

Mercado amplo

Outra característica importante para conseguir um investidor anjo é o perfil do mercado da empresa. Ou seja, a amplitude do seu público-alvo, porque o crescimento está diretamente ligado a demanda de mercado.

Empreendedor engajado

Por fim, o quarto quesito essencial para atrair um investidor anjo para o negócio é ter um empreendedor engajado. O gestor deve ser capaz de transformar ideias em realidade, deve estar preparado para colocar o plano estratégico em ação com eficiência e confiança. Em outras palavras, mostrar que o seu capital humano é extremamente capacitado.

Como é o mercado de investidores-anjo?

Potencial é o que não falta no Brasil, o volume de startups cresce cada vez mais e as oportunidades de investimento são expressivas. Contudo, em comparação com o cenário internacional, o país ainda engatinha.

Segundo uma pesquisa da Anjos do Brasil, realizada em 2018, enquanto os EUA atingiam a marca de US$ 23 bilhões nesse tipo de investimento por ano, o Brasil aplicava pouco mais de R$ 979 milhões. E considerando o valor do PIB de ambos países, esse investimento deveria ser pelo menos oito vezes maior no Brasil. 

Para estimular essa modalidade, foi criada uma lei complementar (Lei nº 155/2016) que impossibilita a consideração do valor aplicado por um investidor anjo como capital social ou contabilizado para fins de enquadramento. 

Ou seja, o investidor anjo não pode ser considerado sócio e não deve responder por nenhuma dívida da empresa. A lei protege o investidor anjo em relação a possíveis passivos que a empresa possa vir a ter. Desta forma, esse tipo de aplicação tende a aumentar, já que segurança do investidor é garantida. 

De acordo com uma pesquisa do grupo GVAngels, a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) não deve impactar esse mercado no Brasil. 50% dos investidores-anjo entrevistados apontaram que a crise não afetou sua predisposição de investir em startups early stage, e outros 10% afirmam que o seu interesse nessa classe de ativos aumentou.

Aquelas que conseguirem atravessar a crise, possivelmente, serão a próxima geração de exits vantajosos. Portanto, o cenário atual traz grandes oportunidades para investidores apostarem em startups. 

Como se tornar um investidor anjo?

Diferentemente do que muitos imaginam, um investidor anjo normalmente não é detentor de grandes fortunas. Ele possui o capital necessário para investir de forma inteligente e é portador de conhecimentos estratégicos.

Esse tipo de investimento costuma ser feito de forma conjunta e o capital aplicado varia de  R$ 50 mil a R$ 600 mil, portanto cada anjo pode começar a investir com valores em torno de R$ 20 mil.

Como essa aplicação envolve o mercado de startups, não existe um padrão ideal de investimento. Contudo, é recomendado que o anjo não comprometa mais de 10% do seu patrimônio e que ele tenha uma carteira de investimentos.

Em outras palavras, o investidor anjo deve aplicar em mais de uma startup para que risco seja reduzido, o portfólio seja ampliado e as chances de retorno aumentadas.

Além disso, as competências intelectuais têm peso expressivo. A experiência de um investidor anjo pode muitas vezes superar o valor do capital investido, porque essa expertise ajuda o empreendedor a evitar erros, poupando tempo e capital. 

O smart-money agregado aumenta as chances de sucesso da startup e atraem novos investidores para o negócio. Por isso para ser um investidor anjo, além de capital, o profissional deve ter grande conhecimento de mercado e capacitação técnica.

Portanto, um investidor anjo tem como objetivo aplicar em negócios com alto potencial de retorno, que consequentemente terão um grande impacto positivo para a sociedade através da geração de oportunidades de trabalho e de renda.

Buscar um mentor desse tipo é uma forma de potencializar o desenvolvimento do negócio, garantir tomada de decisões mais assertivas, otimizar o posicionamento no mercado e reforçar a qualidade organizacional.

 

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