Seja qual for o ramo de atuação, a alta rotatividade não faz bem para nenhuma empresa. Ter um fluxo intenso de admissões e desligamentos prejudica os níveis de produtividade, o que causa impactos negativos nos resultados do negócio. A má notícia para o mercado nacional é que o índice de turnover no Brasil é particularmente preocupante.

Por aqui, reter talentos é um desafio muito grande, devido à escassez de mão de obra qualificada e à recessão econômico que se instalou no país nos últimos anos. Neste post, falaremos mais sobre esses números e quais caminhos precisamos seguir para melhorá-los. Se interessou? Continue conosco!

O panorama do turnover nas empresas brasileiras

O Brasil é o atual campeão mundial em rotatividade de funcionários. Segundo uma pesquisa da Robert Half, a taxa de turnover nas empresas brasileiras aumentou em 82% entre 2012 e 2014, mais que o dobro da média mundial, que é de 38%. O estudo entrevistou 1.775 diretores de RH pelo mundo, sendo 100 deles brasileiros.

Órgãos brasileiros também atestam o alto índice de turnover no Brasil. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), só em 2016 a alta rotatividade atingiu 40% das empresas nacionais.

Setores com maior rotatividade de funcionários no país

Para compreender o alto índice de turnover no Brasil, é preciso observar recortes específicos. Em algumas áreas de atuação há um ritmo muito mais intenso de admissões e desligamentos de funcionários, devido às particularidades destes setores.

A seguir, confira os setores com maior rotatividade no Brasil e os principais motivos disso acontecer.

 

Comércio

O comércio é, historicamente, uma das áreas da economia com maior índice de turnover no Brasil. Segundo dados da Fecomércio, em dezembro de 2017 a rotatividade registrada para o setor foi de 6,17%, bem acima da média da economia brasileira, que era de 3,79% naquele ano.

Em São Paulo, o comércio varejista registrou 81.615 admissões e 66.409 desligamentos, criando 15.206 postos de trabalho. A rotatividade no estado foi de 5,55%, um nível bastante elevado.

Além da crise econômica, um fator que contribui para a alta rotatividade no setor é a explosão de vagas temporárias em algumas épocas do ano, como Carnaval, Páscoa, Black Friday e Natal. Quando o ritmo de vendas volta ao normal, os postos são fechados, gerando um alto número de demissões.

 

Construção civil

Pela natureza das atividades exercidas, alguns setores sofrem mais com a alta rotatividade que outros. É o caso da construção civil, que registrou um turnover de 4,94% ao final de 2017, segundo a Fecomércio.

Geralmente, os projetos das construtoras são temporários e, quando eles terminam, a maioria tem dificuldades para realocar os trabalhadores. Além disso, a instabilidade do setor leva os funcionários a aceitar outras propostas com mais facilidade, já que não têm garantias de permanência na empresa onde estão.

 

Agropecuária

O setor de agropecuária vive uma realidade muito semelhante à da construção civil. Os contratantes levam em consideração os períodos de plantio e colheita ao formar suas equipes, por isso há picos de admissões e desligamentos ao longo do ano.

A última pesquisa da Fecomércio aponta que, em 2017, a taxa de turnover desta área de atuação foi de 5,34%.

 

Call center

As taxas de rotatividade das empresas de call center são alarmantes. Segundo uma pesquisa da consultoria Elancers, o número varia entre 6,5% e 10% ao mês, bem acima das médias anuais registradas em outros setores.

O setor é reconhecido por gerar oportunidades para quem não tem experiência, empregando jovens que estão entrando no mercado de trabalho. 

Esse é justamente um dos motivos do alto turnover: esses jovens geralmente são universitários, e deixam o call center assim que conseguem trabalho na sua área de estudo.

O fato de haver muitas empresas terceirizadas na área também explica a rotatividade. Se a companhia que presta serviços tem o contrato encerrado, a mão de obra será dispensada.

 

Serviços

Os serviços que mais afetam o índice de turnover no Brasil são os que prestam apoio às atividades-fim das organizações. Isso inclui, por exemplo, limpeza, vigilância e T.I, que geralmente são serviços terceirizados. Segundo a Fecomércio, a taxa de turnover anual desse setor é de 3,53%.

Em todas as áreas de atuação, esses índices causam prejuízos que vão além dos custos de desligamento, já que a rotatividade tem impacto direto na produtividade.

Os novos contratados precisam passar por treinamentos antes de executar bem suas tarefas, pegar ritmo de trabalho e se adaptar à rotina da empresa. Ou seja, leva tempo até que eles consigam entregar 100% dos resultados esperados pela organização.

Razões que dificultam a retenção de talentos no Brasil

Na pesquisa da Robert Half, a baixa remuneração e a falta de reconhecimento foram citadas por 33% dos entrevistados como os principais motivos para a alta rotatividade na empresas. Outras razões apontadas com frequência são desmotivação e desconfiança em relação ao futuro da companhia.

De modo geral, um aumento de turnover geralmente ocorre em dois cenários:

  • Economia aquecida, com bons profissionais recebendo ofertas tentadoras.
  • Recessão econômica, com as empresas sendo forçadas a fazer cortes e demissões.

No Brasil atual, prevalece o segundo cenário: há um efeito dominó gerado pela crise econômica do país. 

Com mais demissões, o mercado reduz o número de vagas ou passa a contratar mão de obra mais barata – e possivelmente menos qualificada. Com isso, a qualidade dos serviços diminui, o que acarreta em novas trocas, gerando um ciclo intenso de admissões e demissões.

Para reduzir o índice de turnover no Brasil, será cada vez mais necessário recrutar profissionais identificados com seus cargos e com a cultura da empresa. Isso aumenta as chances de montar equipes engajadas, que permaneçam mais tempo nas organizações.

Também é preciso desmistificar a cultura de começar a redução de despesas pela demissão de funcionários. Na verdade, essa prática pode onerar ainda mais a empresa, com queda de produtividade, sobrecarga da equipe e aumento de custos com novas contratações e treinamentos.

Agora que você estudou mais a fundo o índice de turnover no Brasil, é hora de trabalhar para mudar essa realidade. Como vimos ao longo do post, nosso mercado tem grandes desafios de retenção de talentos, mas com o planejamento certo, certamente você poderá encontrar o caminho certo para superá-los.

Gostou do artigo? Para saber mais sobre o assunto, confira este outro post sobre as principais causas de turnover nas empresas!