Gestão financeira para construtora

Gestão financeira para construtora: 5 ações para aplicar na sua empresa

Já faz alguns anos que o setor de construção civil vem enfrentando diversas dificuldades, com seus altos e baixos econômicos e uma constante queda nas vendas. Desde da crise imobiliária de 2008, a insegurança rodeia esse mercado, tornando-o um segmento delicado para possíveis investidores, o que prejudica ainda mais essas empresas.

Diante desse cenário, tem sobrevivido apenas aquelas companhias que possuem uma forte administração e uma gestão financeira estruturada para construtora.  Assim, para se manterem eficazes e competitivas no mercado, enfrentando ou não uma crise, empresas de serviços de construção devem adotar um controle financeiro altamente eficaz. 

Nesse cenário, o forte monitoramento e gestão não envolvem ações mirabolantes, mas sim uma constância de tarefas focadas em melhorar a área administrativa da companhia e em sempre seguir o planejamento.

Sendo assim a primeira demanda a ser feita é rever o modelo de gestão financeira para construtoras. Além disso, adotar algumas medidas de avaliação e controle que são fundamentais para dar vida longa ao seu negócio pode ser bem bacana. 

Abaixo, criamos um guia completo com diversas dicas para você que deseja saber como aplicar uma gestão financeira para construtoras realmente capaz de proteger sua empresa. Confira e saiba mais!

O que é gestão financeira?

A gestão financeira pode ser definida como o conjunto de atividades e ações que visam planejar, controlar e analisar os recursos financeiros de uma empresa.

Na prática, ela envolve a administração de despesas fixas e variáveis, investimentos, empréstimos, lucros, financiamentos e valor patrimonial. Além disso, as suas ações implicam no planejamento, acompanhamento e análise para garantir equilíbrio entre entrada e saída de recursos, a fim de orientar os próximos passos da forma mais produtiva possível.

Nesse sentido, ela está relacionada com três premissas principais:

  • custos, despesas, recebimentos e pagamentos na ponta do lápis;
  • contas a pagar e a receber funcionando em sintonia;
  • o que é da empresa, é da empresa.

Por que uma boa gestão financeira é importante para construtoras?

Se você trabalha na área da gestão financeira, com toda a certeza já esbarrou com alguns dados essenciais relacionados a esse âmbito. Eles funcionam como indicadores, os quais fornecem uma resposta prática e rápida sobre a atual administração da empresa e seus possíveis pontos de melhora. Confira às quatro principais:

  • Como estão nossos indicadores financeiros?
  • Estamos realmente operando no prejuízo?
  • Quanto temos em créditos a receber?
  • Quais ações podemos tomar para alcançar melhorias?

A avaliação desses indicadores financeiros e suas respectivas respostas é essencial para compreender a situação atual da empresa, saber para onde ela está caminhando e identificar se você deve continuar nesse caminho ou tomar medidas para melhorar os resultados e impedir uma crise ainda maior.

Nesse sentido, olhar apenas para o fluxo de caixa não é suficiente para indicar o sucesso ou fracasso nos resultados. A sobra de um mês não serve como parâmetro para avaliar a empresa como um todo. Para ter uma compreensão geral é preciso ir além e avaliar todos os fatores do andamento financeiro.

Afinal, somente com uma boa gestão financeira é possível saber se a construtora está operando no lucro ou no prejuízo.

O fortalecimento e a saúde de um negócio estão, então, diretamente relacionados ao quão eficiente é a gestão dos recursos. Portanto, é necessário prestar muita atenção nesse quesito, tendo em vista que uma empresa sem uma gestão financeira eficiente está fadada ao fracasso e pode entrar em falência.

Quais são os principais desafios financeiros das construtoras?

Orçamentistas, engenheiros e gestores sabem bem como é difícil manter uma obra perfeitamente dentro do previsto e orçado. A baixa produtividade e os imprevistos fazem com que os gastos e o tempo sejam normalmente maiores que o estipulado nas obras da construção civil e isso encarece todo o projeto.

Sendo assim, um dos principais desafios financeiros enfrentados por empresas de construção é manter o caixa sempre positivo.

Além disso, normalmente, as operações envolvem valores muito altos, o que deixa a gestão financeira ainda mais complexa.

Portanto, dentro desse ramo um dos maiores desafios é encontrar orçamentos compatíveis com os valores estabelecidos pelos clientes no contato inicial. Desse modo, se torna mais simples não ultrapassar os valores desejados, mas ainda assim concluir a obra da maneira idealizada. 

O que uma construtora deve fazer para manter as finanças equilibradas?

Então, chegamos ao ponto que você realmente quer saber aqui. O que afinal você, como gestor, precisa fazer para melhorar a gestão financeira para construtora.

Para explicar melhor essa ação fundamental, preparamos algumas dicas simples que vamos listar de forma bem direta. Confira a seguir! 

1. Tenha um cronograma de construção alinhado ao orçamento de obra

Isso significa listar as etapas da construção e determinar qual valor será gasto em cada uma delas. Essa ação é importante para ajudar a empresa a prever os períodos de maiores desembolsos. 

Permitindo, assim que todas as atitudes necessárias sejam tomadas com antecedência, para que sempre haja dinheiro em caixa. E mesmo que esse já seja um hábito na sua empresa é crucial checar o grau de eficiência do sistema que você está usando para o cruzamento desses dados.

2. Faça o lançamento de contas a pagar

A apropriação de custos visa lançar contas a pagar, com o objetivo de contabilizar os valores empregados na obra e identificar os erros. Esse hábito é fundamental para corrigir as falhas ainda durante a execução da obra, evitando os gastos extras excessivos. Ou seja, minimiza a perda da margem de lucro ou prejuízo.

3. Realize a conciliação bancária

Este ponto nada mais é que comparar o saldo que a empresa tem na conta do banco com o controle financeiro realizado internamente, com base no controle de pagamentos e recebimentos.

O objetivo é verificar se existe alguma inconsistência entre os registros, que devem ser idênticos.

Possíveis divergências devem ser analisadas e corrigidas imediatamente. Pois, podem indicar um prejuízo futuro para a empresa. 

Por exemplo, a compra de um material que foi feita na correria e ainda não foi registrada ou uma mão de obra extra, que não estava no planejamento financeiro inicial.

4. Controle as despesas, custos, recebimentos e pagamentos

O fluxo de caixa é de suma importância na gestão financeira para construtora. Embora nem todos os gestores têm uma relação amigável com essa prática, seja por falta de conhecimento ou tarefas acumuladas.

O fluxo de caixa consiste em controlar o saldo entre o que é recebido e os pagamentos que são realizados. Essa análise implica em acompanhar a falta ou o excesso de recursos financeiros no caixa da construtora.

Dessa forma, é fundamental para antever quando estará no vermelho e por quanto tempo precisará operar nessas condições. E, assim, ter tempo para organizar suas operações para alcançar resultados positivos ao final do empreendimento.

5. Realize a análise do demonstrativo de resultados (DRE)

Esse relatório indica quais foram as receitas e despesas da construtora dentro de um determinado período. 

É um documento obrigatório para todas as empresas, estabelecido pela Lei nº 11.638/07. E uma ferramenta importante para fazer a análise de performance ao longo tempo, servindo de comparativo com períodos passados e atuais. 

Sendo interessante o acompanhamento para verificar se a construtora está conseguindo ter mais retorno financeiro ou se o lucro está reduzindo com o tempo.

Outras ações importantes da gestão financeira para construtora:

Partindo desses 5 pontos principais que listamos acima, a gestão financeira também deve estar atenta a outras ações fundamentais, como:

  • gestão ativa das cobranças e pagamentos;
  • constante monitoramento e gestão do capital de giro;
  • controle da emissão e organização de notas fiscais;
  • apuração e acompanhamento periódico dos resultados;
  • administração dos estoques.

Como iniciar a gestão financeira na prática?

Como você pode perceber, existem diversos fatores que podem ajudar a estruturar uma gestão financeira para construtoras. No entanto, na prática, a implementação desses conceitos pode ser complicada, tendo em vista que eles envolvem uma mudança geral na cultura organizacional da empresa. 

Sendo assim, ao decidir alterar o formato de administração de uma construtora, vale ficar atento as seguintes dicas: 

  • O primeiro passo deve ser entender a situação geral da companhia, descobrir a real quantidade de capital de giro ativo e como ele está distribuído;
  • Compreender se no momento a construtora está fechando o mês com lucros ou perdas;
  • Oferecer treinamentos específicos para os colaboradores dessa área, para que eles compreendam qual será o novo formato de trabalho;
  • Manter um acompanhamento rígido da mudança e das respectivas novas demandas implementadas;
  • Colher relatórios sobre o novo período de gestão e, a partir deles, entender o quão positivas foram as mudanças.

Quais indicadores financeiros devem ser acompanhados?

Quando o assunto é setor financeiro, cinco tipos de indicadores devem ser avaliados.

  • liquidez: avalia a capacidade de cumprimento das obrigações em um curto período;
  • estrutura de capital e endividamento: analisam o nível de dívida utilizado para gerar lucro, em longo prazo;
  • de lucratividade e rentabilidade: indicam o lucro da construtora em relação ao patrimônio;
  • valor de mercado: mensuram o valor do negócio comparado ao preço da ação;
  • de atividade: ajuda a medir o período de conversão das contas em vendas ou entradas e saídas de caixa.

Veja alguns exemplos:

  • índice de lucratividade: analisa a relação entre o lucro líquido da empresa e o valor das vendas.

Índice de Lucratividade = (Lucro Líquido / Receita Total) x 100

  • margem de contribuição: informa qual valor de sobra em cada serviço vendido, deduzidos os custos e despesas variáveis.

Margem de Contribuição = Valor das Vendas – (Custos Variáveis + Despesas Variáveis)

  • índice de endividamento geral (IEG): está relacionado ao balanço patrimonial e informa o percentual dos bens e direitos comprometidos com as obrigações.

Índice de Endividamento Geral = (Passivo / Ativo) * 100

  • margem líquida: indica o lucro em relação às vendas.

Margem Líquida = (Lucro Líquido/Vendas) x 100

  • ponto de equilíbrio: aponta a receita mínima que a construtora precisa ter para pagar todos os custos e despesas. Ou seja, informa o mínimo que precisa ser produzido para ao menos ficar no “zero a zero”.

Ponto de Equilíbrio = Despesas Fixas / Margem de Contribuição

  • índice de inadimplência: implica diretamente no crescimento da empresa. Portanto, deve se manter o mais baixo possível.

Índice de Inadimplência = (Vendas Não Recebidas no Período / Vendas Recebidas no Período) x 100

Há ferramentas para melhorar a gestão financeira de uma construtora?

Em tempos de digitalização, a tecnologia pode se tornar uma forte aliada na organização, otimização e eficiência de qualquer empresa.

Além das ferramentas mais operacionais, direcionadas à gestão de obras propriamente, por exemplo, as que auxiliam a fazer elaboração de orçamentos assertivos, cronograma físico-financeiro e  cronograma de obra, ainda existem aquelas que são mais voltados para a gestão financeira, que é nosso foco aqui.

Uso de software para o controle financeiro

Para manter todos os processos sob controle e garantir a segurança das informações, é fundamental integrar as finanças e os dados em um único software de gestão financeira.

Um sistema como esse também ajuda a automatizar os cálculos e relatórios, que são essenciais para a análise e tomada de decisões. 

Além de também ser muito útil para reduzir o tempo de execução das tarefas rotineiras e avaliação de resultados. Através dele se torna muito mais simples mensurar resultados e até mesmo medir a produtividade de cada colaborador, bem como o formato de realização de suas demandas.

Nesse cenário, uma solução tecnológica especializada em gestão financeira faz toda diferença no controle mais eficiente das suas operações e lucros.  

Com essas pequenas atitudes é possível revolucionar completamente a área de gestão financeira da construtora, tornando-a mais simples, rápida e automatizada. 

Assim, as chances de construir um caminho de ascensão no mercado crescem, bem como as possibilidades de lucro com a empresa.

Entender o que é, de fato, uma gestão financeira para construtora e a sua importância é o primeiro passo para que os resultados do negócio empresa sejam os melhores possíveis.

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O que você tem feito na gestão financeira para construtora? Quais ações têm tomado para garantir um futuro longo e próspero? Deixe sua resposta aqui embaixo nos comentários! Queremos saber quais medidas estão implantando com sucesso!