Empresas de capital aberto: qual é o papel do RH?

setor de RH é altamente importante para manter um relacionamento saudável entre líderes e funcionários, promover campanhas de conscientização e treinamentos, e definir estratégias de motivação para a equipe. Por isso, as empresas de capital aberto necessitam dele tanto quanto as outras.

Quer entender mais sobre as vantagens de um setor de RH para organizações desse tipo? Descubra então o que caracteriza empresas de capital aberto e o papel que o RH poderá desenvolver dentro delas!

O que são empresas de capital aberto?

O nome que se dá ao processo de abertura de capital em uma empresa é IPO: Ofertas Públicas Iniciais de Ações.  As empresas que passam por esse processo serão constituídas por investidores anônimos que adquirem as ações na Bolsa de Valores, tornando desnecessário a escritura pública de propriedade.

Os acionistas podem comprar e vender suas ações conforme julguem mais vantajoso para eles e, enquanto isso, a empresa vai desenvolvendo normalmente suas atividades. No entanto, se acontecer qualquer problema envolvendo a reputação da empresa, naturalmente isso pode repercutir negativamente para os acionistas, que poderão sofrer graves prejuízos.

Uma das principais diferenças entre as empresas de capital fechado e as de capital aberto é modo como é feita a contabilidade. Nas primeiras, esse processo ocorre por meio de contadores que são contratados pelos próprios gestores. Já nas empresas de capital aberto, os donos não possuem autonomia sobre os processos contábeis:  existe um conselho de contabilidade responsável por isso, que costuma ser escolhido pelos acionistas que detêm as ações de maior valor.

Outra diferença que vale salientar é o modo como as ações são comercializadas: as empresas de capital fechado vendem ações somente em “balcão”, enquanto as empresas de capital aberto disponibilizam ações para compra e venda livre na Bolsa de Valores.

Como fica o RH quando a empresa abre o capital?

No Brasil, muitas empresas estão adotando a estratégia de abrir o capital e estima-se que no ano de 2017 esse número aumente ainda mais.

Contudo, a empresa que abre o capital acaba sofrendo mudanças estruturais, que criam novas responsabilidades. A empresa precisará, por exemplo, prestar contas a muitos acionistas e não somente ao seu presidente.

O departamento de RH é essencial durante esse processo e pode até determinar o sucesso ou o fracasso das novas empresas de capital aberto. Um estudo feito nos EUA envolvendo empresas que abriram seu capital desde 1988 informa que o setor de RH impacta, em um primeiro momento, de forma negativa durante o processo de IPO, pois é considerado um setor de custo alto. No entanto, depois que o processo se completa, o RH tem grande influência na sobrevivência dessas empresas: elas passam a apresentar até 92% de chances de se manterem operantes mesmo após 5 anos, além das suas ações tenderem a se valorizarem na Bolsa já 90 dias depois de serem listadas.

É necessário criar novas posições e cargos?

Antes de se tornarem empresas de capital aberto, durante a preparação para o processo de IPO, uma alteração quase unânime nas corporações é a criação de novos setores, entre os quais está o RI (Relações com Investidores).

Torna-se, portanto, necessário encontrar funcionários para os cargos que estão surgindo, como gerente financeiro, advogados, coordenador de remuneração e outros. Além das novas contratações, também é importante realizar treinamentos internos e/ou externos, conforme sejam necessários. Os diretores e gerentes, por exemplo, terão mais necessidade de falar em público, considerando que a corporação seguirá o modelo das empresas de capital aberto. Com isso, é necessário que o RH esteja atento a essas novas necessidades para investir nos treinamentos que fizerem mais sentido na nova realidade da organização.

Quanto aos profissionais de RH, existem algumas dificuldades em relação à contratação de novos funcionários, já que eles não precisam necessariamente de graduação para atuar na área, e muitas vezes sua formação se baseia em cursos de especialização. Esse pormenor pode tornar difícil encontrar profissionais específicos, mas é possível (e é o que algumas empresas fazem) treinar pessoas do quadro de funcionários e habilitá-las para integrar o setor de RH dessas empresas.

Caso alguns funcionários não se ajustem à nova condição da empresa, pode ser preciso contratar novos profissionais. De qualquer modo, o RH desempenha papel importante durante a fase de transição e nos períodos subsequentes, sendo fundamental para o gestor de RH preparar sua equipe para o novo modelo.

De que forma a abertura de capital impacta a cultura da empresa?

Em empresas de capital aberto, o maior impacto é a necessidade de adaptação da equipe, seja ela a estratégica ou operacional. Há, naturalmente, uma mudança na cultura corporativa e é fundamental que sejam feitos treinamentos para garantir o melhor ajuste possível do pessoal.

A cultura deve priorizar a transparência nas ações e a manutenção de um diálogo franco com os diferentes interlocutores.

É conveniente reavaliar e modificar a metodologia empregada para desenvolver as atividades. Por exemplo: as empresas de capital aberto precisam de um conselho de administração e de auditores externos, compete ao setor de RH elaborar um código de conduta conforme definem-se regras de comportamento e de gestão corporativa.

Do ponto de vista legal, é preciso ajustar alguns setores às determinações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Esse regulamento envolve, entre outras coisas, o registro como empresa de capital aberto e a geração de relatórios com as regras contábeis pertinentes.

Entre as funções do RH nessa transição de cultura, está também a definição do sistema de remuneração da organização e da situação das questões trabalhistas, que impactam no patrimônio empresarial.

Por esses e outros motivos, abrir capital tem provocado muitas mudanças nas empresas. Algumas, que antes não tinham um setor interno de RH, passaram a tê-lo depois do processo de IPO devido às novas necessidades que surgem.

O que muda na remuneração dos colaboradores?

Outra grande mudança se percebe no que se refere à remuneração. Empresas de capital aberto dispõem de ações com maior liquidez na Bolsa de Valores, o que resulta em planos de opções de ações mais eficientes para atrair e reter talentos.

Assim, muitas dessas empresas incrementam planos de remuneração que são baseados em bonificações especiais, como por exemplo o direito do funcionário de comprar ações da própria empresa. A essa estratégia de remuneração dá-se o nome de Stock Options.

Para isso, o RH deve analisar o mercado, definir quem será o alvo, avaliar se existirá carência para a venda de ações e assim por diante.

Os planos de opções de ações devem ser gerenciados pela equipe de RH. Deve-se explicar ao funcionário que sua condição também se modificou dentro da corporação: de colaborador, ele pode passar a ser um associado (acionista).

Essa mudança impacta positivamente no trabalho do time de colaboradores, que se sente mais intimamente ligado à empresa e desejará trabalhar com mais assiduidade para vê-la crescer.

Você já teve alguma experiência em RH de empresas de capital aberto? Conte para a gente nos comentários!

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