Coronavírus: como a crise afetou o mercado financeiro?

crise afetou o mercado financeiro

O novo coronavírus (COVID-19) coloca 2020 como um dos anos mais marcantes da história. Além das evidentes implicações no setor de saúde, os impactos a doença provocaram mudanças radicais em outros diversos vieses da, até então conhecida, normalidade social.

Como não poderia deixar de ser, tudo isso gerou reflexos na economia e, consequentemente, no mercado financeiro.

De maneira bem resumida, mercado financeiro pode ser entendido como o ambiente, onde todas as relações de compra e venda de ativos financeiros (como ações, títulos públicos, fundos imobiliários, debêntures, dentre outros) são concentrados e operados. 

Se você quiser saber mais sobre o mercado financeiro, recomendamos a leitura deste outro artigo aqui. As principais operações são explicadas com todos os detalhes!

Diante desse cenário preocupante, preparamos este post para te ajudar a entender como a crise afetou o mercado financeiro. Continue acompanhando, entenda o que houve e conheça quais são as previsões para os próximos meses. Boa leitura!

Coronavírus e a crise econômica

O novo coronavírus chegou transformando a noção de “normal” em todo mundo, seja pela adoção de cuidados sanitários específicos, isolamento social, saúde mental (ansiedade, depressão, estresse, pânico), reestruturação das políticas de trabalho (home office), novas práticas de consumo (digital), etc.

Isso sem mencionar o número assustador de mortes (mais de 1 milhão registrado no mundo até o momento) que a doença já provocou e as consequências escandalosas para a economia.

Considerando o cenário econômico, desde que a quarentena foi imposta como medida de segurança obrigatória há cerca de setes meses atrás, empresas precisaram realizar adaptações emergenciais, que acabaram comprometendo o emprego e a renda de diversos trabalhadores brasileiros.

O trabalho remoto foi implementado como alternativa de sobrevivência comercial, mas nem todas as empresas conseguiram se adaptar às novas condições do mercado e não sobreviveram. 

Segundo a pesquisa “Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 716.000 empresas fecharam as portas no primeiro semestre do ano. Isso prova como a crise afetou o mercado financeiro brasileiro.

Ou seja, uma crise de crédito e possível recessão foi, inevitavelmente, motivada no país, intensificando o desemprego e exigindo adaptações nos mercados de ativos, por parte dos investidores, para minimizar perdas. 

O impacto da COVID-19 no mercado financeiro

Para entender melhor como a crise afetou o mercado financeiro, é preciso considerar também os principais cenários de operação dos investidores. Veja a seguir o contexto pré e durante a atual pandemia.

Antes da chegada do novo coronavírus

Para quem não se lembra, o Brasil já vinha enfrentando uma crise financeira e o desemprego atingia níveis alarmantes há alguns meses. 

No começo de 2020, segundo dados do IBGE, os números apontavam para 12,9 milhões de trabalhadores sem vínculo empregatício. Paralelo a isso, a alta na inflação e a redução do poder de compra do brasileiro. 

Como a crise afetou o mercado financeiro, o Banco Central (BC) adotou diversas medidas corretivas como a redução na taxa de juros básicas do mercado (Taxa Selic chegou a 3% ao ano) numa tentativa de apaziguar a situação e incentivar o consumo.

Essa queda alterou o perfil de muitos investimentos; aplicações foram tiradas de operações de renda fixa e levadas para as de renda variável para priorizar a rentabilidade. 

Desta forma, essa estratégia do BC foi um dos incentivos decisivos para a retomada do crescimento econômico no país. O Fundo Monetário Internacional (FMI) havia previsto que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia crescer 2,2% em 2020.

Contudo, antes que os resultados dessas medidas pudessem ser percebidos com segurança, estourou a pandemia da COVID-19.

Com a chegada do novo coronavírus

A parada repentina que muitas organizações precisaram fazer em suas operações comerciais no primeiro trimestre, motivada pelas orientações da paralisação obrigatória, levou a intensificação da situação de crise no país. 

O cenário incerto e o medo levaram as empresas a adiarem ainda mais as decisões estratégicas e ousadas de investimento, direcionando suas aplicações, por segurança, em operações de menor risco.

Isso reforça como a crise afetou o mercado financeiro e a pandemia do novo coronavírus dificultou a retomada do crescimento econômico.

Segundo dados de uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com o instituto econômico suíço KOF da ETH Zurique, os efeitos da pandemia serão sentidos em escala global por algum tempo. 

Até o momento, o barômetro (ferramenta de análise do desenvolvimento econômico) indica o menor nível registrado desde 2009.

Se no começo do ano a projeção de crescimento era de 2,2% para o PIB, a situação mudou completamente com a pandemia. Agora, o boletim Focus do BC aponta para uma retração de 5,03%. 

Cenários mais pessimistas ainda indicam a possibilidade, no pior caso, de atingir uma retração de até 10% no ano. Isso significa que essa pode ser a maior crise econômica desde 1930.

Os impactos do novo coronavírus na Bolsa de Valores

A pandemia do coronavírus provocou uma desaceleração nas indústrias e no consumo, o que trouxe consequências quase que imediatas para os mercados acionários.

A oscilação na Bolsa de Valores (BV) foi tão grande no início da quarentena, que 6 circuit breakers foram acionados na tentativa de preservar o capital aplicado. 

Grosso modo, circuit breaker é um mecanismo de segurança utilizado para interromper todas as operações do pregão da BV do Brasil, a B3. Ele é acionado nos momentos em que as ações negociadas sofrem quedas atípicas e relevantes para os seus preços.

Confira a seguir uma tabela com a oscilação da Ibovespa (BVSP), índice que reúne as ações mais negociadas na B3, desde o início da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

MêsVariação
Março-29,9%
Abril+10,25%
Maio+8,57%
Junho+8,76%
Julho+8,27%
Agosto-3,44%
Setembro-4,80%
Outubro+7,38%

Fonte: Investing, 2020.

As altas e baixas fizeram com que o período fosse considerado um dos mais dramáticos da história da bolsa brasileira. Isso explica como a crise afetou o mercado financeiro atual. Mais adiante vamos explorar melhor essa situação.

Vale pontuar que a última vez em que a BV acionou essa quantidade de paralisações foi durante a crise internacional do Subprime (crise do mercado imobiliário americano) em 2008. Ou seja, os impactos da COVID-19 na economia são sérios.

Ademais, como é de se esperar, o tamanho do choque varia de acordo como perfil de cada modelo de negócio.

Medidas do Banco Central diante da pandemia

O Banco Central é a instituição responsável por manter a funcionalidade dos mercados e, com isso, apoiar o funcionamento da economia real. Principalmente diante de situações de crise, como a da COVID-19, sua atuação é decisiva.

Assim como dissemos, como a crise afetou o mercado financeiro, o BC vem adotando uma série de medidas fundamentais na tentativa de combater os efeitos negativos da pandemia, sem abrir mão da solidez e da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Algumas das principais medidas adotadas foram:

  • redução das taxas de juros básicas;
  • ações com o Tesouro Nacional;
  • redução do spread do nivelamento de liquidez;
  • aperfeiçoamento nas regras do Liquidity Coverage Ratio;
  • diminuição do requerimento de capital para PME (Pequenas e Médias Empresas);
  • redução adicional do compulsório;
  • Programa de Empréstimos para Folha de Pagamentos (FOPA);
  • intervenções nos mercados de câmbio;
  • linha de swap de liquidez em dólares americanos;
  • overhedge de investimentos em participações no exterior;
  • tratamento tributário do overhedge;
  • empréstimo com lastro em debêntures;
  • empréstimo com lastro em letras financeiras garantidas por operações de crédito;
  • injeção de recursos de prazos mais longos via operações compromissadas com lastro em Títulos Públicos Federais (TPFs);
  • novo depósito a prazo com garantias especiais;
  • flexibilização nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs);
  • dispensa de provisionamento para renegociação de operações de crédito;
  • redução do Adicional de Conservação de Capital Principal (ACP) dos bancos;
  • facilidade para os bancos comprarem suas próprias letras financeiras;
  • autorização para fintechs emitirem cartões de crédito e se financiarem no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Considerando o volume de operações, é possível reforçar a percepção de como a crise afetou o mercado financeiro.

Previsões dos próximos meses para a economia

Para os próximos meses, as projeções para o mercado financeiro ainda não são positivas, mas são menos pessimistas.

Isso quer dizer que, tendo conhecimento de como a crise afetou o mercado financeiro, é possível perceber que o trabalho de reconstrução não será fácil, mas não é impossível.

Confira a seguir as projeções do boletim Focus, atualizadas em outubro.

PIB

Os analistas do mercado financeiro acreditam que para o comportamento do PIB, a previsão é uma retração de 5,03% para 5% este ano. 

Para 2021, a estimativa de expansão da atividade econômica deve baixar o PIB de 3,50% para 3,47% .

Inflação

Já no caso da inflação, os analistas acreditam que um aumento seja praticamente certo este ano, de 2,47% para 2,65%.

Para 2021, a estimativa é manter a inflação em 3,02%. A meta central é chegar a 3,75%, mas esse valor só será atingido se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Taxa básica de juros

Após algumas manutenções na taxa Selic, os analistas do mercado financeiro preveem estabilidade até o final do ano. 

Para o fim de 2021, a expectativa é de que a taxa chegue a 2,50% ao ano. Ou seja, a previsão é de alta nos juros para o ano que vem.

Segundo o FMI, a economia mundial só deve se recuperar de fato quando os riscos da pandemia forem mitigados ou sanados, por meio de uma vacina.

Como a crise afetou o mercado financeiro de forma expressiva, a economia deve permanecer subjugada aos seus efeitos colaterais por mais algum tempo. 

Cabe, portanto, aos governantes, evitar a retirada precipitada do apoio financeiro e manter o consumo como uma rede de segurança ao giro da economia.

Apesar de ser assustador, é importante lembrar que tanto os períodos de crise quanto os de desenvolvimento econômico acontecem de forma cíclica. Ou seja, mesmo que a crise se mantenha, a economia certamente voltará a crescer.

Portanto, com os dados abordados neste artigo, fica mais fácil de entender como a crise afetou o mercado financeiro no Brasil e se prepara para o cenário econômico de 2021. 

 

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