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Capital de giro: o que é, importância e como funciona

Antes de abrir seu negócio, todo novo empreendedor precisa se familiarizar com os termos, burocracias e obrigações que envolvem ser dono de uma empresa. Um dos itens mais importantes nesse cenário de gerenciamento de uma companhia é o capital de giro.

O capital de giro muitas vezes é negligenciado pelo proprietário. Inclusive, muitos empreendedores abrem as portas do seu negócio nem sem saber o que significa o termo e qual a sua importância.

Porém, conhecer o mercado em que se deseja ingressar, o perfil do consumidor, a concorrência e ainda o local onde irá atuar são alguns dos itens indispensáveis. Uma parte essencial nesse processo é entender sobre o controle financeiro na empresa.

A pesquisa mais recente do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) sobre as causas de mortalidade das empresas brasileiras, apontou 55% dos empresários não elaboraram um plano de negócio antes de abrir as portas.

Além disso, 39% dos empreendedores não sabia qual era o capital de giro necessário para abrir e manter em funcionamento a sua empresa. Isso demonstra que o despreparo dos proprietários está diretamente relacionado ao insucesso do negócio.

Para auxiliar neste processo de planejamento da abertura do negócio ou ainda na adequação das finanças da sua empresa, vamos falar tudo o que você precisa saber sobre capital de giro. Acompanhe este artigo e aprenda:

  1. O que é um capital de giro de uma empresa?
  2. Qual a diferença entre capital de giro e investimento fixo?
  3. Por que ele é importante para as empresas?
  4. Quais empresas devem contar com um capital de giro?
  5. Como calcular o capital de giro ideal de uma empresa?
  6. Qual o montante adequado para minha empresa?
  7. Qual pode ser o status do capital de trabalho?
  8. Como organizar e adquirir o valor adequado?

Vamos lá!

1. O que é um capital de giro de uma empresa?

O capital de giro é basicamente todo o valor que a empresa possui para se manter em pleno funcionamento, arcando com todas as despesas fixas e eventuais por um determinado período.

Ou seja, é com esse montante que os gastos essenciais da companhia devem ser cobertos caso nenhum valor entre no caixa, entre eles estão:

  • Salários;
  • Manutenção de estoque;
  • Contas de energia e água;
  • Aluguel;
  • Internet;
  • Impostos.

Vale lembrar que também é possível você ver as pessoas se referirem ao capital de giro como capital circulante ou capital de trabalho. Por isso, caso veja alguns destes termos, saiba que se trata do mesmo assunto.

Esse ativo circulante abrange o valor que a empresa possui no caixa, no banco, em investimentos de alta liquidez (que podem ser facilmente acessados) ou ainda uma quantia que possa ser utilizada com facilidade.

2. Qual a diferença entre capital de giro e investimento fixo?

Antes de começar a funcionar, toda empresa precisa receber um investimento para adquirir os requisitos mínimos necessários.

Esse é o montante chamado de investimento fixo ou ativo imobilizado, pois fazem parte do patrimônio da empresa, mas não devem ser utilizados para pagar as despesas do dia a dia. 

Esse valor inclui todos os equipamentos, veículos, móveis, prédios, entre outros. Apesar de fazer do montante pertencente à empresa, são de baixa liquidez e não devem ser utilizados para quitar dívidas.

A venda de patrimônio é uma opção para quitar dívidas, porém, nem sempre é rápido acessar este valor e, ainda, a empresa perde investimentos que foram realizados com um propósito e ainda em capacidade de produção e venda.

3. Por que ele é importante para as empresas?

O capital de giro é essencial para a manutenção da saúde financeira das companhias, pois é ele quem vai garantir o pagamento dos custos essenciais quando algo não correr bem.

Vale lembrar que algumas empresas operam em sazonalidade, por exemplo, vendem ou produzem mais em algum determinado período do ano. Desta forma, o departamento financeiro precisa ter um capital de giro suficiente para suprir os meses de baixa.

Além disso, contar com essa reserva significa que não precisará se desfazer de nenhum bem patrimonial para arcar com dívidas ou simplesmente pagar os seus fornecedores, mantendo a empresa em pleno funcionamento.

4. Quais empresas devem contar com um capital de giro?

Todo negócio deve contar com capital de giro, já que os problemas eventuais podem ocorrer em qualquer setor do mercado e crises econômicas podem acontecer a qualquer momento.

Um exemplo é a atual pandemia de coronavírus que pegou de surpresa o mundo inteiro. Diante disso, não é possível separar as empresas por categorias para dizer quais precisam ou não contar com um bom capital de giro.

O que sabemos é que alguns setores trabalham com maior parcelamento para os consumidores, então precisam contar com mais capital de trabalho para pagar as contas enquanto não recebem pelos produtos que já saíram do estoque.

Já outras áreas como a alimentícia, atuam com estoque de alta liquidez e também recebe o pagamento mais rápido, às vezes, vendendo o produto antes mesmo de ter que se acertar com o fornecedor. Nestes casos, o capital de giro pode ser menor.

5. Como calcular o capital de giro ideal de uma empresa?

Quando falamos em cálculo, muito empreendedor que não é familiarizado com a matemática pode ficar assustado. Porém, a conta é bastante simples. A fórmula para calcular o capital de giro é:

  • Capital de giro líquido: Ativo circulante – passivo circulante (CGL = AC – PC) 

Mas, o que é ativo circulante e passivo circulante?

Ativo circulante é todo valor que entrará em caixa nos próximos 12 meses. Passivo circulante é todo gasto que deve ser pago no mesmo período.

Exemplo de cálculo capital de giro

Supondo que a sua empresa somando o que possui no caixa, em bancos, nos investimentos de alta liquidez e os valores que irá receber dos clientes, o ativo circulante tenha um total de R$ 150 mil.

Já o seu passivo circulante, que abrange todas as contas que falamos anteriormente (água, luz, energia, internet, aluguel salário, entre outros), é R$45 mil.

O seu capital de giro líquido é:

  • Capital de giro líquido (CGL) = AC – PC
  • CGL = 150 – 45
  • CGL = 105

Nesta situação, o capital de giro da empresa seria R$105 mil.

6. Qual o montante adequado para minha empresa?

Não existe uma conta certa para calcular qual o valor adequado para compor o capital de giro. Entretanto, a sugestão para não ter problemas é que a reserva seja capaz de suprir as contas da empresa por pelo menos seis meses.

Desta forma, o ideal é multiplicar o valor do seu passivo circulante (PC) por 6.

  • CGL = PC X 6

No exemplo que abordamos acima, a simulação da conta seria:

  • Capital de giro ideal: R$45 mil x 6 = R$270 mil.

Isso significa que o empresário possui uma tranquilidade para arcar com todas as despesas durante o período de meio ano caso não entre nenhum dinheiro no caixa.

Sendo assim, é possível ultrapassar períodos de baixa, crises econômicas, trabalhar melhor com a sazonalidade de vendas do seu setor e ainda arcar custos imprevistos como quebra de equipamentos.

A conclusão é bastante simples: quanto maior for o seu capital de giro, mais tempo é possível manter sua empresa em funcionamento, quando os negócios não estiverem bem.

O SEBRAE, por exemplo, apontou em uma de suas pesquisas que mais de 23% das empresas fecham nos primeiros dois anos após a abertura e, um dos principais motivos, era a falta de capital de giro.

7. Qual pode ser o status do capital de trabalho?

Capital de giro líquido

Já falamos sobre como calcular o capital de giro, porém, é importante entender que o capital de giro líquido contabiliza apenas o montante circulante da empresa.

Sendo assim, o capital de giro líquido é o valor que pode ser movimentado rapidamente, ou seja, entrar ou sair do caixa em curtos períodos.

Capital de giro negativo

Possuir um capital de trabalho negativo significa que a empresa não possui o valor excedente para arcar com os custos se passar por uma situação adversa nos próximos seis meses. Também indica que a companhia está gastando mais do que está recebendo.

A conta que deve ser feita é a mesma: CGL = AC – PC. Sendo assim, se o passivo circulante da sua empresa for maior que o ativo, seu capital de giro é negativo.

Mas, isso é sempre ruim? De maneira geral, estar sempre com o CGL negativo mostra que a empresa não está indo bem e o ideal é reestruturar o funcionamento da companhia para positivar o capital de giro.

Porém, se for uma situação pontual e logo o empresário conseguir regularizar o montante, não é necessário se preocupar.

Capital de giro próprio

Este é o melhor cenário que uma empresa pode ter. Possuir capital de giro próprio significa que todos os recursos que a companhia possui para gerenciar os custos pertencem ao negócio e não a um terceiro.

Por exemplo, se a empresa tem um valor adequado de CGL, mas, para isso, precisou pegar um empréstimo no banco, significa que nem todo o montante é próprio.

Capital de giro associado ao investimento

Nesta categoria, o capital de giro estará diretamente relacionado à manutenção de algum investimento que o empreendedor fará na estrutura da empresa. 

O exemplo mais simples de ilustrar esse cenário é a compra de um novo equipamento. Para colocá-lo em funcionamento, é possível que necessite de um novo funcionário e também matéria-prima extra.

Desta forma, o capital de trabalho irá suprir esses novos custos da companhia.

8. Como organizar e adquirir o valor adequado?

Se você ainda não abriu sua empresa, o ideal é realizar um planejamento financeiro para que a o início do funcionamento ocorra quando suas finanças estejam organizadas.

Sabe-se que no começo de todo negócio os gastos são maiores e, por isso, nem sempre é possível ter um capital de giro completo. Porém, tente se programar para contar com uma boa reserva.

Caso o seu negócio já esteja em andamento e não possui o valor adequado da conta: CGL = PC x 6, a sua empresa está em risco e é preciso reavaliar sua forma de atuação para adequar às finanças.

Ainda dentro desta situação, temos dois cenários diferentes: a empresa que não possui capital de giro, mas está com as contas em dia; e aquela que está com dívidas. Para este último caso, listamos neste outro artigo do blog ‘8 dicas de como reduzir a inadimplência‘.

Abaixo vamos listar algumas atitudes que os empresários podem tomar para capitalizar fundos para seu capital de giro líquido.

Organizar o setor financeiro

Antes de qualquer coisa, organize o setor financeiro da empresa, se não contar com um especialista fixo, ao menos, veja se cabe no orçamento contar com uma ajuda profissional para regularizar a área.

Primeiramente, registre todos os processos financeiros, isto é, crie uma planilha na qual irá listar todo o dinheiro que sai ou entra no fluxo de caixa da empresa. Desta forma, será possível entender melhor o ciclo financeiro da sua empresa e verificar em que está perdendo dinheiro.

Corte gastos supérfluos

Para organizar a economia, em qualquer situação, seja pessoal ou profissional é essencial cortar os gastos desnecessários. Às vezes, sem nem perceber, pagamos por serviços que não utilizamos ou que poderíamos encontrar mais em conta no mercado.

Por isso, liste todos os seus gastos mensais e observe em que é possível economizar. Por exemplo, algumas contas são essenciais, como água, luz, telefone e internet, mas veja se você não está desperdiçando dinheiro em algum destes setores.

Desligue lâmpadas que não estão sendo utilizadas, verifique vazamentos, converse com sua operadora para negociar planos mais baratos que ofereçam os serviços que você precise. Todo o dinheiro excedente que sobrar, pode ajudar a compor o capital de giro.

Negocie com os fornecedores

Ao comprar os produtos ou matéria-prima que necessita para o seu negócio, pesquise bem o fornecedor que será seu parceiro. Além de uma boa qualidade, é importante contar com formas de pagamentos flexíveis.

Uma dica bastante importante neste quesito é só pagar o material à vista se a condição for realmente melhor, ou seja, tenha um bom desconto.

Caso contrário, opte sempre pelos pagamentos a prazo, assim, ao receber pela venda de um produto, você já começa a pagar o fornecedor. Desta forma, não precisa tirar do capital de giro para investir em matéria-prima.

Leia também: Pagar à vista ou parcelado: qual a melhor opção de compra?

Negocie com os clientes

Outro ponto importante é o relacionamento com os clientes. Sempre que possível diminua o parcelamento das compras do consumidor. Às vezes, não será possível, especialmente se a concorrência optar por este formato.

Porém, a conta a simples: quando receber o pagamento à vista, automaticamente você cobre o valor de investimento e já tem seu lucro, sem precisar se preocupar em como pagar os custos no próximo mês.

Além disso, muitas empresas esbarram em clientes inadimplentes, que fazem a compra e depois não cumprem o pagamento das dívidas. Certamente, esses valores podem fazer um rombo do orçamento do negócio.

Por isso, busque entrar em contato com estes consumidores e faça uma negociação, se for o caso, ofereça desconto. É melhor receber um valor reduzido (desde que cubram os custos do produto), do que entrar em dívidas por não receber do cliente.  

Faça um empréstimo

Uma outra opção que pode ser utilizada, como última forma de conseguir o capital de giro, é optar por empréstimos em instituições financeiras. Este recurso deve ser utilizado apenas no caso da empresa ter dívidas que precisam ser pagas imediatamente.

Além disso, não é adequado agir por impulso. Ao se ver em uma situação difícil, faça um planejamento e veja se as parcelas para pagar o empréstimo caberão no seu orçamento, caso contrário, o prejuízo financeiro pode ser ainda maior.

Faça uma pesquisa e procure os menores juros do mercado e, só depois, peça a ajuda financeira à instituição. É importante ressaltar que esse é um recurso que deve ser utilizado pontualmente e não ser o hábito da sua companhia.

Caso sempre tenha que optar por empréstimos em bancos, reveja sua atuação e analise em que pode estar perdendo dinheiro.

Apesar de muitos empresários desconhecerem o conceito de capital de giro, podemos perceber neste artigo a importância do montante para o sucesso financeiro de qualquer empresa.

Não contar com uma reserva financeira pode significar a falência do negócio em poucos meses.

Por isso, se não tiver com sua empresa aberta ainda, estude formas de conquistar um capital de giro. Se já estiver funcionando, utilize as dicas acima para se adequar e obter o sucesso financeiro.  

Inove sem alterar sua folha: salário sob demanda com segurança

Se para a empresa, ter capital de giro faz com que as contas girem, sejam pagas e o investimento cresça, os funcionários precisam do salário para evitar cair nas garras do cheque especial.

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